segunda-feira, 24 de maio de 2004

As várias razões do amor

AS VÁRIAS QUESTÕES DO AMOR

De repente parei e notei que na minha prateleira, existem livros diversos... Machado de Assis, Daniel Defoe, Goethe... porém, em nenhum deles notei a falta de um tema: o Amor.
Eu ia dizer que acho, mas na verdade tenho certeza, de que nenhum assunto foi tão discutido, teorizado, questionado e explicado como esse, em toda a história da humanidade, e há quem diga – e eu concordo – que ainda há muito a se dizer, e sempre haverá.
Eu paro pra pensar sobre isso às vezes, e meu pensamento, sinceramente vai longe... eu não consigo achar uma explicação de porque existe, de onde veio, o que nos faz amar isso e não aquilo, ou esse e não aquele outro. Com que fundamento, você olha pra uma pessoa, ou alguma coisa e simplesmente a ama? Porque dizem ser um sentimento tão maravilhoso e divino, mas que nos faz sofrer tanto? Sofrer por querer e não ter, sofrer por se preocupar, sofrer por não ver, e tantos outros tipos de sofrimento que são conseqüências diretas do amor...
É não só estranho, mas diria que até maquiavélico, a gente amar, e chorar porque tem ciúme, e quase morrer porque tem saudade.
Tudo no ser humano é, e exala amor. Se você não tivesse amor, você não iria a faculdade, não iria ao trabalho, ao cinema, não compraria aquele cd, ou aquele carro. È claro, que nem sempre a gente faz o que gosta, ou por amor, mas com certeza amamos o que aquilo pode, ou irá nos proporcionar.
Vi uma reportagem uma vez, onde eram passadas explicações de como o nosso organismo reage a esse sentimento, enfim, o que acontece com nosso corpo quando estamos amando. Foi interessante, fiquei sabendo que hormônios, nervos e muitos sentidos ficam alterados, diria até descontrolados.
O que eu queria na verdade – e ainda quero – era uma teoria, uma definição clara e prática do que é o amor. Tipo definição do que é um substantivo, sabe? Eu gostaria de saber, quais são os acontecimentos, passo a passo, de quando o amor desperta dentro da gente.
Por exemplo, se você está parado na rua, de repente passa alguém, e pronto... amor à primeira vista. Tudo bem. Mas qual foi o caminho percorrido por esse sentimento dentro de você, para que você passasse a amar aquela pessoa? Alguém que você nem conhece, ou se conhece, porque gostar “nela” o que tantas outras pessoas também tem?
Enquanto eu não encontro essa explicação, e pra falar verdade acho que nunca vou encontrar, prefiro aceitar a teoria do dom divino, porque é a que mais cabe para a minha necessidade imediata, mas não definitiva. Que pode não ser a mesma pra você, é claro.
Prefiro pensar que realmente, amor foi instituído por Deus, para que amássemos nosso semelhante, e constituíssemos nossas famílias. Acho também que não veio dele a vertente do amor material. Não acho que Deus nos colocou o sentido de amor, para que ambicionássemos o carro do ano, ou uma casa nova. Isso, acredito eu, já ficou por conta do ser humano, na sua imperfeição tão perfeita.
Quero dizer que sou muito a favor do amor, a favor do sofrimento por amor, do amor aos nossos sonhos ambiciosos, e nas loucuras que cometemos por eles. Quem não é, certamente está ferido, ou pensa que a ferida já cicatrizou e nunca mais vai se ferir novamente. Ingênuo engano. Pra dar um passo e cruzar a rua, você precisará amar o motivo que o está levando a atravessá-la.
Mas enquanto não temos a teoria, não deixemos de praticar. Amando, respeitando e compreendendo, não só a quem está diretamente ligado à nossa intenção, mas também a quem está em igual situação.
Talvez, quando respeitarmos verdadeiramente, quem ama e sofre por amor, e admitirmos que também o fazemos, iremos entender e poderemos definir esse mistério tão desafiador.

SAMANTHA ABREU

Um comentário:

BAR DO BARDO disse...

Aceitar o outro com suas "imperfeições tão perfeitas"...

Bom exercício sentimental.