sexta-feira, 28 de maio de 2004

Cultivar Diferenças!

CULTIVAR DIFERENÇAS

Tenho ouvido falar muito de cultura e bom gosto. Sempre achei que era uma pessoa ligada às artes e intelectualismo... doce engano. Ninguém sabe ou imagina o tamanho da cultura ou capacidade artística do ser humano.
Muitas das coisas que não damos valor hoje, amanhã serão hiper valorizadas. E daí, passaremos a vangloriá-las só porque um homem reconhecido – e de terno - disse na televisão que aquela obra seria uma revolução artística, de uma tremenda criatividade e cultura.
Não sejamos hipócritas: quem, hoje, não acaba fazendo ligação entre uma pessoa intelectual, com o nível superior de “cultura” e conhecimento, com bossa-nova, literatura, vinhos e cinema? Quando paramos pra pensar nisso, podemos notar como somos pequenos e nossa mente é fechada ao horizonte das idéias. Não que eu não ache isso maravilhoso e ame, mas não é tudo o que existe.
Quem te disse que alguém que gosta de pagode, assiste Novelas, e toma cerveja não é culto? Vivemos dentro de um padrão, que alguém, por livre gosto e opção própria determinou como verdadeiro... Um padrão já construído, e que nós aceitamos como sólido, sem ao menos questionar suas bases...
Se nos interessasse saber, a palavra cultura – que vem do verbo cultivar- cabe em qualquer situação, nível social ou intelectual. Qualquer manifestação social, é cultura, é cultivo de uma idéia... Se pra você, ouvir Elis Regina é maravilhoso, que bom! Se seu vizinho ouve Zeca Pagodinho e se sente bem... que ótimo! Pessoas diferentes, com opções e manifestações culturais diferentes, é isso é riqueza! Riqueza pro país, pra história e pra discussões.
Algo padronizado apodrece qualquer sociedade, congela qualquer idéia, e castra qualquer manifestação, seja ela cultural, ou não. Quem impôs uma forma de viver que nos fizesse requintados e educados, não deve ter tido noção da grandeza de cada pessoa, de cada idéia diferente, e de cada linha paralela na história de uma comunidade.
Paremos com isso por aqui, já basta. Pare de dizer que seu amigo que ouve música sertaneja não tem cultura, ou não sabe de nada. Ele apenas sabe de coisas diferentes, ou então, gosta e aprecia coisas diferentes... não é assim com religião, política e futebol, por que não deve ser com cultura? Não existe mesmo cultura diferente? Será que sou eu, quem estou sendo abrangente em excesso? Acho que ao invés de almejarmos cultura, deveríamos praticar a tolerância.
Se você não aceita que lhe seja imposta uma crença, um time, ou um candidato, porque vai aceitar que lhe digam que você só será culto caso leia Camões, ou ouça Tom Jobim? Se você o fizer por prazer, terá coisas ótimas e diferentes pra contar, mas terá também outras pra ouvir, de quem leu uma simples revista, ou o jornal de hoje.
Acredite, conviva com a grandeza e a diversidade de idéias, de idealismos e de preferências... e principalmente, respeite-as!

SAMANTHA ABREU

Um comentário:

BAR DO BARDO disse...

bom se falar: diversidade sem adversidade.