segunda-feira, 21 de junho de 2004

A OPINIÃO DO OUTRO

Eu reparava na forma como ele se irritava com ela. Enquanto eu escolhia minha revista, os dois quase se pegavam no tapa. Ele, irado, com os olhos arregalados, tentava impor o que dizia. Ela, nervosa, choramingava e se fazia de mal compreendida.
Uma cena boba, e para alguns até vergonhosa, mas que me fascinou por alguns minutos. Eu me encantava com a preocupação dele para que ela o entendesse. O que para muitos seria um escândalo, para mim tornou-se um espetáculo romântico.
Parei pra notar como é engraçada a forma das pessoas hoje em dia se preocuparem com as outras. Hoje, é menos trabalhoso impormos nossa vontade, do que buscarmos formas dela ser aceita. E isso acontece principalmente nos relacionamentos. Seria a famosa “imcompatibilidade de gênios”, tão massacrada e tão causadora de planos desfeitos e sonhos desmoronados. As pessoas agem como se fossem totalmente auto-suficientes, e não precisassem concordar, nem acordar com as outras de seu meio e relacionamento. Normalmente, não existe uma preocupação se sua vontade fará bem, ou atenderá os anseios de quem lhe acompanha. Tenta-se ao máximo controlar tudo a nosso bel prazer.
Foi por isso que aquela cena me comoveu. Existia por parte do rapaz, um cuidado e uma atenção à opinião que estava sendo formada pela moça a seu respeito, e uma preocupação enorme para que ela entendesse o que ele estava tentando dizer, ainda que de uma forma já um pouco alterada.
Por tantas vezes a gente pensa se um dia alguém vai se preocupar com o que pensamos, com as opiniões que temos. Parece que isso esta se tornando cada vez mais raro. As pessoas mantêm relações onde não manifestam suas opiniões, e se o fazem, não respeitam nem se interessam pelas dos outros. A gente nunca tem tempo pra ouvir, pra entender, pra elogiar ou agradecer. Estamos sempre correndo atrás de projetos que instituímos como verdadeiros, muitas vezes sem ao menos analisar opiniões ou sugestões alheias. A velocidade tecnológica da vida que levamos hoje, e também o muro que cresceu entre as relações interpessoais, deixaram as pessoas cada vez mais distantes umas das outras, e cada vez menos preocupadas com o que seu irmão está pensando.
Tudo isso me ocorreu frente a uma briga de namorados no shopping, e me fez acreditar ainda mais que nosso papel principal no mundo, e que deve urgentemente ser resgatado, é o de ouvir as outras pessoas. Ouvir seus sonhos, seus projetos, suas críticas, suas opiniões. Dessa forma de conviver, certamente iremos tirar nosso modo de ser compreendido, de ser amado e respeitado.
Ninguém vive em um mundo isolado, e mais ainda, ninguém diminui seu valor por respeitar e ouvir outra pessoa, pelo contrário, essa seria a melhor forma de tirarmos proveito de alguém, aceitando sua contribuição de conhecimento para nossa vida e nosso crescimento.
Aquele casal do shopping, teve a maior aula de relacionamento da vida, a de se preocupar com o que o outro pensa, e mostrar para ele e importância da sua opinião sobre a gente.



SAMANTHA ABREU

4 comentários:

Liza disse...

Passei p/ dar um oizinho garotinha...e passa lá no blog...we have a surprise for YOU!

beijinhos ..Liz

Anônimo disse...

Samantha...Adoro me sentir excluida, principalmente por duas pessoas, que estão me devendo 7 brincos cada uma!!! Ou vcs passem a me incluir nas "brincadeirinhas"ou... vcs sabem, tenho muito a declarar sobre vcs, e sim, isto é uma ameca!!!

Anônimo disse...

Gente... sinto em informar que terei que "suspender" a exibiçaõ desse Blog, até que as chantagens acima sejam apuradas...

hahahahahahahahahahahahahaha
Samantha

BAR DO BARDO disse...

Il y a d'haute intimité ici!