segunda-feira, 19 de julho de 2004

UM GRITO

Odeio dias em que não sei o que fazer. Sabe aqueles dias em a gente sente que algo deve ser feito, que devemos tomar uma atitude, mas não conseguimos saber qual e nem onde? Fiquei muito emocionada com o filme que vi hoje. Assiti à "O Custo da Coragem (Veronica Guern)", com Cate Blanchette, e achei maravilhoso. Chorei, e fiquei pensando como minha vida às vezes é mediocre... como a gente se acha corajoso, mas na verdade, não buscamos nada que nos incomode, ou que exija algo de nós que está além de nossas expectativas.
Virou uma confusão de sentimentos em mim, comecei a pensar no amor que tenho pelo que faço, pelo empenho que ainda tenho que dispor para alcançar a realização nisso, e nas recompensas que pretendo ter... que aliás, vão muito além do dinheiro, sem nenhuma hipocrisia.
Eu começo também a pensar na minha vida sentimental, e me sinto até muito boba. Sinto que existem coisas muito mais importantes com as quais eu deva me preocupar, do que ficar sofrendo para esquecer alguém, ou até... encontrar alguém, se essa pessoa na verdade, não me daria a realizaçõ pessoal que tanto busco.
Quantas pessoas no mundo se sentem assim também?
Quantas pessoas buscam sem encontrar, amam sem se dar, sofrem sem chorar, têm medo sem mostrar ou estão vivas sem viver.
Quantas pessoas, como eu, queriam fazer o que gostam, se emocionam com atitudes empolgantes, ou lutam para realizar seus sonhos. Até o de encontrar alguém.
Se eu fosse melhor do que sou hoje, talvez nem seria eu. Talvez nem seria feliz, talvez nem sonhasse assim, ou cansasse assim de lutar. Ou talvez,  eu nem lute tanto, nem sonhe tanto e nem queira tanto... afinal, todos sempre dizem que quando se quer muito alguma coisa, fica mais fácil conseguir... pois eu acho mesmo o contrário. Quando se quer muito, mas muito mesmo alguma coisa, parece que tudo na vida te leva para o lado oposto. Parece que tudo acontece para te impedir, para te afastar cada vez mais.
Eu queria muito ser mais obstinada, queria mesmo é que todas as pessoas fossem mais obstinadas, mas críticas e mais políticas. Queria que todos nós tivessemos esperteza suficiente para achar o caminho, pra lutar consciente, para exigir o que nos é de direito, para ajudar quem precisa da gente, para amar quem nos merece, e pra esquecer quem nos machuca.
A distância não mata nenhum sofrimento, apenas diminue a dor e faz adormecer o pensamento. A saudade tira a coragem de qualquer pessoa, e sem coragem ficamos desprotegidos. Exatamante como estamos hoje. Sem coragem, sem vontade, sem sonhos, sem força, sem sossego e sem opiniões.
Pra quem me conhece, sabe o que isso quer dizer...
 
 
SAMANTHA ABREU

Um comentário:

Liza disse...

Oi Sami...to cun saudadi mulhé!
Ve se aparece p/ conversar...ok..beijinhos..Liz