segunda-feira, 23 de agosto de 2004

PRA NÃO ESQUECER

Ela sabia que ele seria feliz ali. Há muito e muito tempo, planejavam se mudar para aquela praia. Sonhavam com um chalé na beira do mar, muito sol, e sossego.
O problema, é que essa mudança não se deu em um dos melhores momentos da relação entre os dois. O que era um plano de futuro tranqüilo e de união, se tornou na verdade, um refugio. Queriam a todo custo, salvar o casamento.
Ele não mais a suportava reclamando, dos atrasos, da bagunça, da toalha na cama. Sabia que não havia se casado com aquela mulher. Ansiava pela namorada mais perfeita do mundo, e que sempre fora a dele. Mas aquela mulher, esposa, era diferente. Acordava sem gostar de olhar para o sol, praguejava por ter que fazer o café e ainda por cima, não conversava com ele.
Embora sempre tenha sido um rapaz simpático e alto astral, aquela preguiça de viver que ela tinha, o estava contaminando. Não estava feliz no trabalho e por muitas vezes, pensava para onde ia ao fim do expediente, pois não suportava a idéia de ter que vê-la, ter que voltar para casa.
Decidiu arrumar uma amante. Não queria se separar de sua mulher, pois apesar de tudo, da crise, da contenda, ainda a amava e muito. O que ele queria na verdade, era extravasar a decepção que estava sentindo de assistir à morte de uma pessoa que sempre o fez tão feliz. Sem cessar, pensava que aquela mulher que conhecera, estava morrendo.
Começou a se envolver com clientes do escritório onde trabalhava, e a cada envolvimento mais profundo, sentia-se preso ao passado, e a cada nova mulher que conhecia, fantasiava sua esposa nas épocas de namoro. Sentia o cheiro dela quando saia do banho, o gosto da boca dela quando passava batom. Usava as amantes que tinha, para amar ainda mais sua mulher.
Mas a crise foi mesmo ao ápice, quando ela descobriu. O encontrou em um bar que freqüentavam quando namoravam, com uma moça mais ou menos da idade que ela tinha quando se conheceram, a uns 8 anos atrás. E o engraçado, era que a amante se parecia mesmo com ela. Cabelo longo, olhos grandes e rosto exótico.
Ele ficou desesperado, transtornado, não podia de maneira alguma perder a mulher com quem casara, planejara a vida. Passou dias tentando explicar o que sentia, o motivo pelo qual havia procurado outra mulher. Ela não acreditava. Não entendia que ele realmente procurava outras mulheres para não esquecê-la, para não deixar de amá-la.
Depois de tanta insistência, ela resolveu considerar, mas com a condição de que ele mostrasse todas as amantes que havia tido. Ao total, eram oito. Sete delas, eram extremamente parecidas. Todas com o mesmo estilo de beleza, com os mesmos traços e quase sempre da idade que tinha quando os dois começaram a namorar. Ela quase se convenceu, até conhecer a oitava. Loira, magra, olhos claros e pele bronzeada. Enlouqueceu de raiva. Só aceitou lutar pelo casamento, devido à sinceridade com a qual ele admitiu, depois de muito relutar para esconder... Ficara com a loira pois o fazia lembrar muito a Luana Piovani. Ela berrou, chorou... ameaçou matá-lo, mas se derreteu quando ele disse que ela era bem mais interessante, inteligente e alegre que a Luana Piovani, e que a sósia, só era mesmo parecida de longe...

SAMANTHA ABREU


2 comentários:

Liza disse...

Oi sami, apaguei meu antigo blog por alguns probleminhas mas já fiz outro...passa lá...

www.lizzvaleria.blogspot.com

Anônimo disse...

oh, vida insana ó vã mulher que nos teus anos de vida te lembras de palavras tão vãs...não te emendes, não ó moça! ficas solteirinha e a xuxar no dedo!