quarta-feira, 1 de setembro de 2004

RELAÇÕES


É engraçado quando a gente vê na televisão um tipo de amor tão distante da nossa realidade... por quantas vezes não vemos um casal apaixonado, um amor arrebatador, daqueles sofredores que só acabam bem no final, e pensamos “só em novela mesmo...”. Porque só em novela? O que mais me deixa intrigada é pensar que aquele tipo de amor de fato existiu. Existiu.
As pessoas a-ma-vam umas às outras. Amavam mesmo, e não era apenas amor. As pessoas se respeitavam, se relacionavam, se olhavam, conversavam. O respeito, aliás, era algo tão importante quanto o amor. Tanto que uma pessoa que perdesse o respeito das outras, preferia morrer, não se sentia nada. As pessoas se tratavam bem, eram muito educadas, falavam obrigada, bom dia, como vai... preocupavam-se com as outras. Por cruel opção do tempo, não vivi nessa época, não posso dizer que me lembro. Mas sinto isso com muita força, a cada vez que minha avó me conta histórias, com lágrimas nos olhos.
É claro que o amor tinha todos os defeitos que ainda tem hoje, pois o amor não muda, e não mudará nunca. Fazia sofrer, causava ciúme, choro, briga, morte. O que mudou hoje, foram as pessoas, as relações, o olhar em direção ao outro.
O amor hoje é tido como sinônimo de satisfação pessoal, individualismo, egocentrismo. Uma pessoa só está com outra se isso lhe trouxer vantagens. Quando se ameaça ter algum tipo de preocupação ou atenção especial, o amor deixa de existir.
Não estou dizendo que alguém deva ficar com outra pessoa sem estar satisfeito e feliz, mas a questão é que não existe mais nenhum esforço para se construir algo com o outro. Não se ama mais de forma e enfrentar desafios, a encarar obstáculos. Não existe mais amor impossível, nem amor proibido. Não existe mais nada entre duas pessoas a não ser momentos, tempo juntos, casos, sexo e relações distantes e frágeis.
Se um homem e uma mulher se amam, e eles, mesmo estando juntos, deixam de se gostar – o que extremamente possível e normal – não há qualquer tempo gasto para se preocupar com os sentimentos da outra pessoa, para se tentar valorizar o que se viveu ao lado do outro, para se tentar melhorar algo e salvar uma relação. Qualquer um dos dois, imediatamente desocupa o lugar, parte à procura de um sentimento novo, e deixa o espaço vago no coração do ex, para que também possa ser tomado por novas emoções. Simples assim.
Ou então, o que ao me ver pode ser pior, as pessoas não se envolvem. Pessoas que já sofreram tanto em relações relâmpagos, que se acostumaram à isso, e vivem sozinhas. Apesar de serem pessoas que amam muito, o fazem em quantidade e não qualidade. Trocam de amor como quem troca de roupa, e do amor avassalador que sentem hoje, amanhã já nem se lembram.
Arthur da Távola deu a receita de “como fazer bonito o seu amor” (qualquer dia desse, eu publico aqui), mas ninguém leu. Ou se leu, esqueceu. Ou leu, chorou e achou que aquele amor não existia, era apenas coisa de novela.
Não existe e nunca existirá amor perfeito, infelizmente. As relações são lindas quando misteriosas, envolventes e conquistadas. Nenhum escritor quer escrever sobre amores fracassados. Nenhuma novela daria ibope com casais que não se envolvessem. Nenhum filme seria sucesso de bilheteria sem paixões. Ninguém é feliz sozinho. Ninguém é auto-suficiente a ponto de não precisar ser amado, ser cuidado e ter alguém ao lado. Ao lado, de fato. Alguém presente, brigando, rindo, brincando, chorando, sofrendo, lutando.
Todo mundo sonha em dividir com alguém as alegrias que conquista, e ambiciona ter alguém que lhe ajude a carregar o fardo das decepções e das derrotas.
Nem você, nem eu, nem autores, diretores e escritores conseguiriam construir uma vida em relações relâmpagos, nem crescer sem estabelecer relacionamentos recíprocos, satisfatórios, envolventes e encantadores....



SAMANTHA ABREU

2 comentários:

Anônimo disse...

Menina... vc tem o dom....

Liza disse...

SAmi....tudo bem?...vamos sair no findi? ou vai namorar?rss...
Agora sim gostei do layout...muito bonito...combinou com vc...beijinhos...Liza