segunda-feira, 25 de outubro de 2004

da Moreninha

“ Ali está ela na solidão dos seus campos, talvez menos alegre, porém, certamente mais livre; sua alma é todos os dias tocada dos mesmos objetos: ao romper d’alva, é sempre e só a aurora que bruxoleia no horizonte; durante o dia, são sempre os mesmos prados, os mesmos bosques e árvores; de tarde sempre o mesmo gado que vem se recolhendo ao curral; à noite, sempre a mesma lua que prateia seus raios à lisa superfície do lago! Assim, ela se acostuma a ver e amar um único objeto; seu espírito, quando concebe uma idéia, não a deixa mais, abraça-a, anima-a, vive eterno com ela; sua alma quando chega a amar, é para nunca mais esquecer, é para viver e morrer por aquele que ama. Isto é assim Augusto; considera que é lá em nossos campos que mais brilham esses sentimentos, que são a mesma vida e que não podem acabar senão com ela!...”


do livro A MORENINHA, de Joaquim Manuel de Macedo
trecho do capitulo XIX “Entremos nos corações”

Um comentário:

BAR DO BARDO disse...

O Macedinho sabia manipular como poucos...