sábado, 15 de outubro de 2005

Aspirina = Richard Gere !!!!!

Aspirina

Quem de nós, nunca olhou para alguém na rua e pensou se aquela pessoa não seria, talvez, o amor da sua vida.... Ou então, aquela única coisinha que falta pra deixar sua vida mais colorida, sua alma mais leve e seus problemas mais simples...
Todos sabemos que vivemos fugindo desse assunto quando estamos sozinhos e mal amados. Mal amados, que fique claro, digo no sentido e não ter um amor, ou muitíssima dificuldade para encontrá-lo. Nos fazemos de auto-suficientes, e fingimos que estamos sozinhos, por livre espontânea vontade.... que na verdade não queremos mesmo compromisso, e sim apenas um casinho aqui, outro acolá.
A mais pura e cretina mentira. Mentira daquela tão grande que até nós mesmos acabamos nos convencendo disso, de que não queremos alguém para amar de verdade, amar inteiro, incondicional.
E nessa ilusão, construímos nossas festas, nossas paqueras, nossas noites de sábado. Exceto aqueles sábados em que daríamos tudo pra ter um abracinho no sofá e um monte de pipoca, são nesses sábados em que explodem as recaídas e sofremos feito primeiro amor não correspondido. Saímos para festas, preparados pra encontrar alguém, mas não admitimos de maneira alguma, apenas dizemos que se trata de diversão com os amigos, muito longe de envolvimento amoroso que possa nos tornar dependente.
Aliás, dependência essa, que no fundo buscamos incessantemente. Buscamos alguém pra nos aquecer, pra cuidar da nossa gripe, da nossa manha, da nossa birra. Alguém pra trazer sorvete no almoço de domingo, pra comprar sonho de valsa no cinema. E se essa pessoa gostar das festas com nossa família então... jogar baralho com os tios, rir das piadas nos primos.
Essa pessoa se torna insubstituível em nosso ponto de vista, e quando esse amor acaba - pois acredito que o amor não seja mesmo eterno- achamos que nunca mais haverá outro alguém, e que seja mesmo melhor ficar sozinho, e não se envolver tão profundamente. Voltamos à ilusão da auto-suficiência.
Admiro as pessoas que fogem a essa regra, já que toda regra tem sua exceção. São pessoas sempre abertas e dispostas a amar. Pessoas que não tem vergonha de sofrer e adoecer por amor. E vale a pena citar, que esses mutantes, adoecem, e se levantam para amar outra pessoa, como quem se levanta da cama pela manhã, no primeiro dia de férias... e isso se torna tão incrível quanto poético.
Já nós, bobos independentes, estaremos sempre amando alguém sem essa pessoa desconfiar, pois estaríamos vergonhosamente assumindo nossa cruel necessidade, e nosso tão repugnante âmbito de amor. Continuaremos saindo com os amigos e olhando pessoas que poderiam ser nossa cara metade, mas estamos bem demais sozinhos para nos envolver. Estaremos ainda chorando em casa ‘naqueles’ sábados, por não ter alguém pra abraçar no sofá, nem pra nos levar uma aspirina na cama.

Também, quem precisa de aspirina...
Samantha Abreu

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