segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Ana


Vou começar aqui o Primeiro capítulo de uma "coisa" que comecei a escrever faz algum tempo, e ainda nem terminei! rsrs ...
Nossa! que esquisito!
vai lá... nem sei como vai acabar ainda...rsrsrsrsrsssss,,,, Conforme eu for escrevendo, vou colocandoi aqui....
Capítulo I - A descoberta
Ana sentiu a mesma coisa chata de quando não entendia uma piada. Sentia-se deslocada do mundo, como se fosse uma completa estranha entre as pessoas.
- Como é?
- É isso Ana, sinto muito. O cancêr está no estômago, mas já afetou um pedaço do pulmão.
- O que eu posso fazer, doutor?
O tempo parou nesse exato instante. Ela de repente, deu-se conta da forma hostil com que estava trantando o médico, como se estivesse nas mãos dele toda a culpa de sua morte, como de dependesse dele a vontade de deixá-la viver, ou não.
- Tenho chance, doutor?
- Não.
Foi o pior não que ela já tinha escutado na vida. Pior que os nãos que ouvia do pai na adolescência, quando estava preparada para as festas dos sonhos, ou para o encontro com um paquerinha da escola. Foi um não que doeu no ouvido como uma agulha. Ela fixou os olhos no médico, como se de fato, não estivesse entendendo a piada. Tirou os sapatos e pisou o chão gelado do consultório. Nessa fração de segundos, lembrou-se de coisas que levara tanto tempo para conquistar, e de tantas lutas que enfrentou para chegar onde estava.
- Ele não deve estar falando sério - sua cabeça a traia com as possibilidades de aquilo ser realmente uma piada. - O que o senhor está me dizendo? Vou morrer e pronto?
- Todos vamos morrer Ana, mas você vai antes que os outros.
- Em quanto tempo? Quanto tempo? - ela gritava para as quatro paredes brancas, ouvindo o eco da sua própria voz - Agora? - sua voz já sumia em um emaranhado que doía na garganta fazendo o nó apertar-se cada vez mais, e seus olhos quase saltarem do rosto.
- Não me é simples lhe falar um prazo, mas em alguns meses. Três ou quatro. Mas para isso você deve se cuidar, fazer o tratamento.
Ela já chorava baixinho, doloroso, quando ouviu essas recomendações e em meio às lágrimas ácidas na sua pele rosada, soltou uma gargalhada rouca e engasgada.
- Para quê? Para morrer melhor e drogada? Não!
Saiu apressada, quase enroscando-se nas quinas e escorregando pelos corredores tão lisos e brilhosos. Nem se lembou de calçar os sapatos. Cada passo corrido lhe aumentava o desespero e o aperto do nó na garganta.
- Quantas perdas, meu Deus! Tudo o que é meu!
Agora ela já não pensava mais no que ainda queria conquistar, mas sim no que jamais teria. A velhice ao lado do marido. A adolescência do filho, único filho! Não conheceria os netos. Não faria bodas de ouro. Talvez nem ganhasse presente já naquele natal, que parecia tão distante de seus míseros três meses de vida. Quem sabe quatro, se implorasse um pouco de clemência ao destino.
Não conseguia pensar em mais nada. Parou na calçada e nem lembrava-se onde havia estacionado o carro. Não conseguir tomar uma direção, nem raciocinar para onde iria naquele momento.
Dali, sua vida tomaria um rumo jamais imaginado nem nos melhores tragédias gregas, seria uma vida digna de oscar americano.
Samantha

Um comentário:

Anderson Almeida disse...

Samantha, fiquei fascinado! Sério, achei muito bom, e com certeza vou acompanhar este conto. Quero veronde vai acabar isso hehehe
Parabéns...
Bjs...