quarta-feira, 8 de março de 2006

Samantha - A biografia Não Autorizada


Vou te odiar muito se você mexer nas minhas coisas, tenho um sobrinho que é a minha paixão ensandecida, não ronco mas babo no travesseiro quando durmo, não esqueço ofensas e não perdôo amigos que traem. Vivo no passado, sou ciumenta, ridícula, nervosa, reclamona, egoísta, extremista. Odeio cantar parabéns, não lavo louça nem roupa, quando minha mãe sai, a roupa acumula até ela voltar. Sou como uma navalha, ninguém entra ou sai de minha vida sem se cortar ou levar uma marca, me arrependo de algumas coisas que fiz, mas faço de novo se preciso. De tempos em tempos, vicio em café e bebo até não agüentar mais. Não sou tão ruim quanto pareço, mas achar que sou boazinha é piada. Adoro sair pra dançar, mas só de for pra valer, feito louca anormal. Adoro surpresas boas e tenho certa aversão natural à mudanças repentinas. Dou risada de tudo, principalmente se souber que naquele momento não pode, aí solto gargalhadas incomparáveis, aliás só parecem com a do Rabujento. Já amei intensamente, já chorei, já matei, já tive peixe, tartaruga e passarinho, hoje só tenho a Minny Aparecida – uma pincher ligada no 220. Já fui mais digna, hoje não daria as costas pra mim mesma, tenho um retrovisor cerebral que sempre me mostra algum fato do passado pra alguma ocasião do presente. Tenho medo da minha boca quando fico nervosa, pois falo barbaridades que deixaria até o Ozzy de cabelo em pé, e falo isso porque meu sangue ferve a ponto de me deixar roxa e com os olhos vermelhos de ódio, e com isso, fica absolutamente impossível me fazer engolir algumas palavras ou não perceber que me transformei numa granada. Gosto do que ninguém gosta e sinto prazer em ser do contra, e o pior é que faço isso inconscientemente. Amo a história do rock e toda a sua complexa situação, adoro causar alvoroço e ser motivo de comentários, mas tenho vontade cometer homicídio quando descubro uma fofoca maldosa a meu respeito. Já dei trabalho pros amigos na balada, gosto de comédia romântica e cult movie, assisto ao mesmo filme todo ano desde os meus 17, sou fascinada por literatura e tudo o que a envolve, escrevo um monte de bobagens achando que um dia chegarei aos pés da Clarice Lispector. Tenho uma necessidade extra corporal e espiritual de sair com amigos para tomar cerveja e jogar conversa fora, principalmente com os mais inteligentes que não deixam o papo acabar nunca. Odeio comer sozinha, olhando pro nada sem ter ninguém pra conversar de boca cheia. Já fui balconista de loja, já fui secretária de cabeleireira, já tive uma locadora de vídeo, já fui caixa de supermercado, e até já dei aula de português para a 5º série, já trabalhei pro meu pai, já tive Attari e ferrorama, já usei le-cheval, já usei bamba, e ainda tenho um conga. Já me apaixonei pelo garoto que sentava na minha frente na sala de aula da 4ª série, já briguei para defender minha irmã mais nova, já tranquei a faculdade (começo as coisas e não termino), insisto em coisas que me consomem mental e fisicamente, dou um valor além do normal às amizades, e me sinto morrer de ciúme dos meus amigos. Tenho um arrepio incrível se me tocam no pescoço ou me mordem a boca. Adoro a forma como José Saramago consegue raciocinar enquanto escreve, sem nenhuma pontuação textual e confesso que até tentei fazer isso aqui, mas me perdi algumas vezes, também fico muito emocionada com o jeito como Rubem Braga fala da vida, e tento muito ser igual, às vezes. Quase nunca choro e se choro, é escondido, pois tenho pavor de parecer fraca ou dar razão pra que sintam pena de mim. Adoro fazer compras no supermercado e ter a idiota ilusão de que todos que me vêem acham que sou uma mulher determinada e independente, como uma verdadeira mulher do novo século. Morro de medo de dentista e mais ainda de barata, odeio médico, tenho medo de injeção, sou preguiçosa às vezes, desleixada, desastrada, desorganizada e meu quarto sempre tem um amontoado de roupa em cima da cabeça do meu panda gigante que ganhei do meu ex-namorado ordinário. Tenho um sentimento supremo quando como chocolate, adoro usar um perfume de pitanga que é super natureba e hippie, mas eu amo. Odeio passar batom porque a boca fica grudando e brilhando, com o mesmo aspecto de quando a gente acaba de comer um frango assado e por isso, uso três quilos de maquiagem em cada olho. Adoro estar sempre apaixonada, e deixar de estar de repente, como se nada tivesse acontecido. Tenho um dom milagroso de ser impiedosa, vingativa e desprezível com pessoas que me fazem mal. Quando assisto aos simpsons acho que sou igual à Liza, sou conservadora, porém tento ser justa. Sigo uma única regra: "não faça aos outros o que não quer que façam pra você". Adoro coisas simples e eficazes, e gosto sempre das coisas ditas e esclarecidas. Nunca fiz mal à ninguém que não merecesse, de fato. Dou muito valor à laços familiares e sinto um estranho prazer em participar repetidamente das festas que a minha família faz, não me dou bem com minha mãe, mas a amo, e sou ainda mais fascinada pelo meu pai. Descarrego meu stress no trabalho e pareço uma formiga atômica correndo de uma lado para o outro. Já emagreci e engordei de novo, mas ainda estou de regime. Compro coisa que não uso e sempre gasto o triplo do que ganho, tenho um Chevette manco que meu pai me acusa de destruir e dirigir como um taxista, não guardo dinheiro, tenho insônia às vezes, não durmo de dia, como a bolacha primeiro e deixo o recheio pra depois...
Mudei muito e vou mudar ainda mais (pra pior é claro).

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