domingo, 5 de março de 2006

Três Marias


Essas duas peças aí comigo são minhas companheiras Evelise e Roberta. Digo peças porque na verdade, elas mais se parecem aquelas coisas que ficam em exposição nas mostras de artistas revolucionários e que a gente fica por horas olhando sem entender o que ele estava querendo dizer com aquela obra. Muitas vezes, até dizemos que nem é obra de arte.
As duas são tão esquisitas que me pergunto de onde saiu tanta criatividade em Deus na hora de elaborar essas duas personalidades.
A Roberta, mas conhecida entre a galera como 'Beth- a feia', isso porque quando ela coloca meus óculos, ela fica extremamente parecida com a personagem da novelinha mexicana, me dá a imensa impressão daquelas meninas criadas na casa da avó, que ficam no murinho do portão, sonhando com uma vida de diversões e bagunças, mas que se mantêm recatada e encantada com o romantismo dos namoricos nesse mesmo murinho. A risada dela mais parece o grito de uma gralha e é impossível ficar séria quando ela abre a boca. De repente, por mais constrangedor que seja, ela sempre solta um comentário que te faz rir por uma semana consecutiva enquanto lembra do ocorrido. Amiga das engraçadas e daquelas que você dá milhões de broncas pra tentar ajudá-la mas de nada adianta, e mesmo assim, você continua tentando. Ela dá alguns escândalos às vezes e sempre te dá a impressão que vai aprontar pra valer, mas na hora recua e parece ter mais juízo que todas juntas. Se você não gosta de alguém ela não vai pensar duas vezes antes de chamar essa pessoa de "vaca" e praticamente agir como se também a odiasse de nascença. O pai dela tem um pesque-pague e a mãe já ganhou na Mega sena e por isso, de vez enquando ela se gaba por ter um pai empresário e uma mãe tão sortuda, e a gente na verdade, se aproveita disso pra realizar eventos e happy hours na empresa do pai dela. Afinal ela é uma amiga das engraçadas e das que oferecem vantagens.
Depois, na outra ponta dessa trinca de truta, está a Evelise. Essa é tão surpreendente quanto a Roberta, mas do lado avesso. Ao vê-la você tem a impressão de a ter conhecido na quarta série, enquanto você aprontava todas com a turminha do fundão e ela estudava muito, bem quietinha na primeira carteita, junto à mesa da professora. Mas na verdade, ela é uma das guerreiras da noite, sempre sai preparada pra se divertir pra valer. Ao contrário dos reles mortais, sente dor de cabeça apenas se tomar bebidas que não sejam destiladas do álcool, dança feito uma maluca e ri desengonçadamente por qualquer motivo. Sempre que se olha pra ela tem-se a impressão de que a reposta para qualquer pergunta será um não. Mas pelo contrário, ela sempre topa tudo e incentiva as mais loucas aventuras que se possa imaginar. Ela, assim como eu, gosta de um bom rock dançante e a gente se junta pra tentar tirar da cabeça da Roberta a mania de gostar de sertanejo. A gente também se junta para tentar convercer a Roberta de que a vida é engraçada e ela precisa aprontar mais. Ela fala alguns palavrões que te assustam e sempre que se irrita fica muito engraçada porque não combina com a cara de boneca que ela tem. E o mais importante: a Evelise é dona da máquina digital que a gente leva pras noitadas e tira cerca de noventa a cem fotos, parecendo um book de modelos loucas, bêbadas e sem noção.
É uma diverão sem tamanho. Três pessoas tão diferentes, que gostam de falar das mesmas bobagens, fofocam as mesmas coisas e detonam as mesmas pessoas. Brigamos com alguém sem conhecê-lo apenas por ser desafeto de alguma das três.
Afinal, amigas servem para ser companheiras e ao invés de tentar apartar a briga, já chega mesmo é na voadora.
Samantha Abreu

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