segunda-feira, 15 de maio de 2006

A Aula de Arte do Heitor Ferraz

Terça, dia 09, fui ao aeroporto bem mais cedo do que o habitual. Cheguei lá, dei uma bisbilhotada na banca e comprei o "kit Muamba" do Sassá. Essa Revista "Muamba" me surpreendeu, pois é bem mais genial do que eu esperava. Uma mistrura de humor, ironia e descontração total. Foi nesse clima que fiquei por uns 20 minutos esperando o poeta Heitor Ferraz. Quando chegou, ele veio direto em minha direção já me reconhecendo. Pensei: "mais um que me viu no Blog". Na verdade, adoro que eles vejam, mas tenho um medo danado de notarem meus erros de gramática e odiarem o que escrevo, mas é um risco que compensa. Quando ele disse que tinha me visto no Blog, já emendou que iria pensar bem em tudo que me falasse por medo do que eu ia escrever.
Nessa terça, a Evelyn não esteve presente e eu, além de buscá-lo, o levei para almoçar. Ele fala sem parar! E eu sou fascinada por pessoas assim. Me falou de tudo, arrancou aquelas curiosidades mais estranhas sobre Literatura, sobre poesia, sobre arte e sobre tudo que pode ser mais fascinante do que a experiência de estar ali com ele. Falamos sobre prosa, sobre os outros escritores e da sua relação com eles. Foi super agradável e fez com que o tempo voasse mais do que habitualmente acontece.
Chegamos ao lugar da aula um pouco adiantados e ficamos aguardando para que os inscritos fossem aparecendo. Para nosso azar, não tínhamos recebido o malote de São Paulo com as apostilas preparadas por ele. Assim, sua aula foi um pouco prejudicada, já que ele pretendia nos repassar grande número de exemplos e poemas para análise. Ainda assim, sua capacidade de destrinchar um texto foi estarrecedora. Deixou claro para gente como cada palavra esconde atrás de si uma imensidão de significados e intenções. Achei assustador como uma pessoa pode ter tanta bagagem de conhecimento histórico, artístico e técnico.
Nos deu vários exemplos de textos não mais desconhecidos do que fascinantes. Falou de poemas que eu nunca tinha ouvido e agora me arrependo muito por isso, de autores que nos atiçaram curiosidades intensas de pesquisa e inveja o suficitente para almejar aquele conhecimento linguístico.
Ele foi amável e deixou todos muito próximos dele. As cadeiras posicionadas em círculo e todos muito a vontade.
Foi muito agradável e tão surpreendente quanto os outros.
Show de arte.
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Vou deixar um Poema dele aqui, um poema lindo - pra mim:

ÁLBUM DE FAMÍLIA

Então ele se sentou
num banquinho
ajeitouo chapéu de feltro
colocou o filho
mais velho
ao seu lado
em pé
e se deixou fotografar
Então
ela se sentou
no murinho
da casa
esticou o vestido
cobrindo os joelhos
sorriu
para a lente
e também
se deixou fotografar

De Goethe nos Olhos do Lagarto (2001)
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