segunda-feira, 1 de maio de 2006

A Festa de Família

Festa de Família


Desde que os pais tinham se separado ela odiava todas as festas de família. Não suportava aquele excesso de intimidade, e o fato de ser tão próxima àquelas pessoas barulhentas, explosivas e cheias e energia. Tinha até uma certa vergonha quando comparava sua família com as de outras pessoas. Às vezes, frenquentava a casa de amigos e via pessoas sempre muito centradas, formais e cheias de classe. Em meio àquela gente tão admirável, torcia para que sua família fosse um pouco daquele jeito, mas não, quando aconteciam os encontros familiares, ela sabia que sairia daquela festa com um extremo cansaço mental.
Na comemoração de final de ano, a familia toda se reunia para dois dias de festa. As tias, gordas e falantes, eram mais parecidas com mulheres gregas. Falavam a todo momento com rapidez e facilidade que até parecia, para quem ouvia de longe, que eram mais de cinco linguas estrangeiras sendo usadas ao mesmo tempo. Elas faziam isso sentadas à mesa da cozinha, comendo bolos de todos os tipos e cores e divagando sobre todos os acontecimentos na vida das pessoas que conheciam e até propunham solução para os problemas alheios. Durante uma conversa séria, elas paravam e punham-se a gritar desesperadas com as crianças que brincavam na rua, com os adolescentes que teimavam em não comer para passarem as tardes em frente ao computador, quase amontoados dentro de um quanrto onde mal cabiam os móveis necessários. Ou então, brigavam por qualquer motivo com os maridos, irmãos e cunhados que do quintal, ao lado da churrasqueira e do isopor repleto de garrafas, lhes assediavam com piadas.
A mesa de almoço, jantar, sobremesa e café, mais parecia um campo de batalha, era um caus total. Os marmanjos praticamente atacava as crianças para que pudessem alcançar mais rápido a sobremesa, ou pior, roubavam os pratinhos de doce dos infernais adolescentes que berravam de maneira estrondosa para que as guloseimas lhe fossem devolvidas. Ela ficava ao sofá, vendo todas aquelas cenas e imaginando-se em meio à uma familia diferente. Sentia seu corpo tremer ao sofá a cada berro que uma das tias soltava da cozinha, ou do lugar mais longe da casa. Por várias vezes, fechava os olhos e ficava apenas escutando os sons daquela festa. Ela conseguia ouvir gritos, gargalhadas, palavrões, choros de crianças, discussões de adolescentes, e sentia um imenso pavor em imaginar que aquele era seu mundo. Tinha dezoito anos e decidiu que no ano seguinte não estaria ali. Estaria bem longe quando o relógio batesse meia noite e a comemoração com baldadas d'água começasse. Ao invés de ter que correr quarteirões e ainda sair de lá ensopada, estaria festando aos brindes de taças com Champanhes da melhor qualidade, com um vestido branco lindo e com um belo penteado.
O ano se passou, ela mal ouviu falar daquela gente até que chegou o final do ano. Ao receber o convite, disse com muito argumento que não participaria pois tinha uma viagem inadiável. Demorou quase uma hora ao telefone tentando convencer a quase todos de que não iria à festa. A cada não que dizia, ouvia lamentos injuriados do outro lado e logo vinha outra tia para tentar convencê-la. Foi um suplício e sentiu-se empreendedora quando desligou com sucesso.
Perto do começo da noite do dia trinta e um de dezembro foi para a casa de uma das amigas, onde fariam um aquecimento para depois da virada irem à um clube da cidade conhecido por uma festa tradicional e elegante. Comprou um vestido deslumbrante, que aliás lhe tinha custado quase o salário de dois meses, arrumou o cabelo de forma especial e foi para a casa da amiga. O sentimento era de total realização e uma onda de superioridade lhe invadia quando iamginava a festa da acasa da tia, com aquela mesa cheia de frutas sendo devoradas e aquele quintal cheio de papéis de presentes estraçalhados durante a revelação do amigo-oculto. Respirou fundo e sorriu, senti-se outra pessoa.
O jantar foi um sucesso, todos à mesa com conversas baixas, tons de voz delicados e movimentos leves. As pessoas olhavam-se e sorriam como se estivemssem tentando conquistar umas às outras. Levantaram-se e foram à sala de estar, para aguardar a virada do ano. Quando chegou meia-noite, se abraçaram, cumprimentando-se e desejando-se felicidades e sucesso. Era outro mundo, um mundo do qual ela nunca tinha participado, nunca tinha feito parte, a não ser em seus pensamentos idealizados.
Mas de repente, entre tantos sorrisos, uma dor lhe invadiu o peito e um sensual abandono lhe acariciou a alma. Não conhecia ninguém ali que quisesse de fato abraçar, alguém que sentisse vontade de ver por todos os dias do ano que iriam começar. Olhava para os lados e procurava incessantemente um rosto amigo, um sorriso reconfortante, e um ombro para encostar e fazer seus desejos mais íntimos de prosperidade. As pessoas as quais ela desejava não estavam ali. A partir daquele momento, aquela festa lhe incomodava de maneira contundente, queria soltar o cabelo, tirar a sandália e dar berros de alegria pela rua.
Na verdade, ela entendeu todos os significados do que acontecia na 'sua' festa de. Sabia que lá, todos sentim-se à vontade uns com os outros, brigavam por preocupação e estravazavam de maneira transparente toda a pressão que tinham vivido no ano que estava terminando. Sentiu de forma verdadeira, que as pessoas da sua família, mesmo discutindo, não desejavam estar em outro lugar naquele momento se não fosse entre si, incluindo ela, que estava agora tão confusa e deslocada. Inventou uma mentira qualquer à amiga, como uma daquelas que a gente usa pra cabular a aula de segunda-feira, e saiu correndoi. Quando entrou no carro, já não pode conter as lágrimas que lhe explodiam aos olhos, tentava respirar e engolir aquele nó na garganta, mas os soluços eram flechas que lhe perfurava o peito a cada vez que pensava em como tinha sido medíocre ao abandonar sua gente, sua casa.
Foi em alta velocidade pelas ruas da cidade até chegar à casa da tia, com esperança de não ter perdido o último abraço. Próxima à esquina, já escutava os berros das tias e as gargalhadas das crianças pela rua. Soltou um riso abafado e misturado ao choro emocionado de estar ali, apesar de tudo. Desceu do carro arrancando as sandálias, e correu para dentro da casa de braços abertos, gritando por atenção. Todos a olhavam assustados e fascinados com a explosão de alegria daquela garota que se mostrava tão descontente com sua origem. Abraçou a todos e sentiu como soco nas costas o banho de água fria que lhe deram. Todos corriam ao redor dela, lhe jogando água e gritando pelo seu nome. Ela estava absorta com aquela explosão de sentimentos misturados e já nem se dava conta de como estava lidando com eles.
Depois de muito correr, levar rajadas de água e jogar baldes sobre os primos, elas estava exausta de experimentar aquela alegria tão veraz e genuína. Desabou sobre a cadeira de balanço que ficava no jardim onde sua avó passava as tardes, e soltava gargalhadas aliviadas. Estava sozinha, e por um minuto olhou-se desde os pés que estavam sujos e o vestido novo estava molhado.
Mas aquilo já nem impotava mais. Ela era como uam raiz nua e agarrada à suas ramificações.
_______________________________________________________
(História baseada em fatos reais)
Samantha Abreu

Um comentário:

travismartin2137041387 disse...

While you read this, YOU start to BECOME aware of your surroundings, CERTIAN things that you were not aware of such as the temperature of the room, and sounds may make YOU realize you WANT a real college degree.

Call this number now, (413) 208-3069

Get an unexplained feeling of joy, Make it last longer by getting your COLLEGE DEGREE. Just as sure as the sun is coming up tomorrow, these College Degree's come complete with transcripts, and are VERIFIABLE.

You know THAT Corporate America takes advantage of loopholes in the system. ITS now YOUR turn to take advantage of this specific opportunity, Take a second, Get a BETTER FEELING of joy and a better future BY CALLING this number 24 hours a day.
(413) 208-3069