segunda-feira, 19 de junho de 2006

Carta à alma gêmea companheira

Quando quero te dizer milhões de coisas nenhum poeta ajuda. Você tem barba de pirata que me arrepia o braço quando encosta-se a meu pescoço, e porque você não liga por eu comer muito chocolate e nem se importa quando resolvo tomar cerveja na segunda.
Odeio quando você ri das minhas idéias e me faz parecer boba. E por saber disso, você sempre termina dizendo algo para me deixar feliz.
Porque você tem um jeito cruel de se fechar, mas tão ineficaz para mim que te reconheço pelo pisar dos pés: firmes quando preocupados e jogados de lado quando em sossego.
Porque foi com você que tremi de verdade, e o seu barulho quando dorme é o único que não me incomoda na cama. Acho engraçado quando você diz que cozinha melhor do que eu, porque eu tiro proveito disso te pedindo comidas esdrúxulas inventadas em minha vontade.
Porque você é o único que consegue dominar meu temperamento quando ele é ebulição. E quando brigo de verdade, você ignora e finge que nada aconteceu até que eu volte ao normal, em exatos dois minutos depois.
Você consegue me dizer não de um jeito tão definitivo que me arrancou todo o mau costume de quase sempre conseguir o que quero, mas em compensação, quando precisa de ajuda, me olha com cara de criança chorona e faz voz de veludo pra conseguir me arrancar um sim.
Porque você não cai nas minhas artimanhas. Você não me conta o nome do seu perfume e nem me diz o que te deixa triste às vezes, mas mesmo assim, eu descubro.
Você me surpreende com gestos de carinho quando eu espero por uns berros, e você me confia sua companhia quando não me resta mais ninguém.
Então, nada mais importa.

Samantha Abreu


3 comentários:

seu AMOR disse...

te amo por isso.... dentre tantas outras coisas.
tenho tanto pra te dizer que não está me cabendo mais!

Ricardo Dalai disse...

achei optimo...mas ainda quero saber o nome do santo q fez o milagre na capela de santa teresa de avila...

Anderson Almeida disse...

Samantha estou com saudades dos bons textos... esses aqui parecem mais trascrições de histórias de amor daquela rádios populares na hora do almoço... desculpe, mas não pude evitar...