quinta-feira, 27 de julho de 2006

Disfarce



Coloco meus óculos escuros
Para não ver o chão em que piso,
Chão que se estende
Até os pequenos pés descalços
Da criança bandida
Sem sonho de infância
Nem cantigas de roda
E da escola banida.

Cubro-me com o chapéu
Para não sentir o ardor desse sol.
Sol que resseca
As terras nordestinas
Do caboclo cansado
Exausto da luta
Da fome, da peste
E do trabalho suado.

Visto essa máscara
Para me esconder desses homens
Tão cheios de raiva
Tão cegos à sua volta
Só repartem com outros a dor
Querem dinheiro e poder
Soberba tão cheia de si
Não há mais lugar para o amor.



Samantha Abreu
(foto de Sebastião Salgado)

6 comentários:

Edu disse...

que poema lindo hein....

Beijos Linda!

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Anderson Almeida disse...

Samantha meu! Isso é digno de uma publicação!!!

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