domingo, 2 de julho de 2006

Incansavelmente novo

A vida é nova em novos momentos, e a gente sempre detesta.
Aceitar o novo é como virar uma página e nunca mais se lembrar dela, principalmente quando a gente escreveu nesta página um grande rascunho do que mais queríamos da vida. A gente vira e deixa um marca páginas apenas nos bons momentos. E podem notar: os bons momentos são sempre aqueles em que experimentamos algo "novo", quando alguma coisa nova mexeu com nossa vida ou nos surpreendeu. A gente quase nunca lembra da vida rotineira, monótona, ou quando lembra detesta, pois nela, nada nos é acrescentado.
O novo nos faz amados porque exploramos sentimentos. Tentamos sempre descobrir o que os outros sentem quando alguma emoção nos invade, buscamos a recíproca e passamos a olhar mais para os lados, olhar mais nos olhos, ver mais as almas.
O novo nos faz criativos quando nos dá novas funções no trabalho e nos obriga a buscar saídas diferentes ou usar os outros lados do cérebro.
O novo nos dá beleza quando pintamos ou cortamos o cabelo de acordo com nosso estado de espírito, e por mais nebuloso que ele esteja, nos torna pessoas transparentes, daquelas que fazem do exterior o reflexo de como são por dentro.
O novo nos desenvolve a sabedoria e por isso, nos faz pessoas melhores, pessoas que pensam, que vivem e que sabem falar com conhecimento.
O novo nos dá Inteligência, quando nos permite comparar coisas, pensar os lados e decidir pelo melhor, ou, se não pelo melhor, nos faz entender as consequências de ter escolhido o pior.
O novo nos faz valorizar nosso passado quando damos valor ao momento em que vivemos por ser incomparávelmente melhor - mostrando que progredimos - ou por ser dolorosamente pior - mostrando que precisamos mais uma vez, de coisas novas.
O novo nos faz admiráveis quando as pessoas notam nossa capacidade dinâmica de inventar, flexibilizar e assimilar novas experiências, novos conhecimentos, novas leituras de mundo.
O novo alimenta almas que buscam incansavelmente a beleza surpreendente da vida, do mundo e dos segredos. Insatisfação alimentada pelo simples ato de descobrir o novo.
O novo é sempre novo, e faz do velho a página que temos que decidir entre rasgar ou marcar.
*****************************************
Samantha Abreu

Nenhum comentário: