domingo, 6 de agosto de 2006

Amar é coisa da sua bisavó!

O amor é a bobagem mais gostosa que já foi inventada. Meu professor de Literatura Portuguesa, ótimo, diga-se de passagem, não cansava de dizer em suas aulas, que a ilusão do amor romântico foi minuciosamente convencionada e até, que antes disso acontecer - lá pelo século dezoito - as relações homem-mulher eram estritamente social, para formação de família e continuação da sociedade humana. Eu até acreditei. Na verdade mesmo, eu acreditei porque sempre fui muito prática para essa coisa de gostar, tolerar, conviver e todas as outras que o amor exige. Aliás, ainda sou, mas o que estou querendo dizer é que quando a gente encontra o que procura – o que, aliás, é o que no fundo, todo mundo procura – tudo fica cor-de-rosa e parece que amor sempre existiu ali, do nosso lado. Os carnês das Casas Bahia ficam pra depois, a conta atrasada do açougue já não tira mais o sono, e você só faz pensar naquela pessoa. Fica lembrando repetidamente como é o beijo, a cara que a pessoa fez quando você disse que adorava o cheiro dela, e muitas outras coisas. A gente só pensa nisso.
Aí, eu parei e pensei: se é mesmo verdade que lá nos tempos da minha bisavó as pessoas não davam tanta importância para essas relações, como pôde passar a existir, de repente, um sentimento de necessidade do outro, assim como é o amor? Ou será que as meninas da idade média não morriam de amores pelos cavaleiros de longas madeixas e não sonhavam acordadas? Será que não, mesmo? Já fiquei até confusa, porque não entendo como um sentimento que não existia, passa a existir de repente. Mas também, penso que comigo foi um pouco assim, esse sentimento se adaptou conforme minha visão do amor. Hoje, quando estou encantada com alguém, o amor me parece tão necessário, mas depois, se deixo de estar, os homens me parecem tão descartáveis.
Então sei lá, ou o mundo virou mesmo de ponta cabeça, ou os homens têm razão: as mulheres são bichos muito esquisitos que pensam demais no amor.


Samantha Abreu
(foto de Isabel Santana)

Um comentário:

Ricardo Dalai disse...

pode me deixar comentario de vez em qdo...eh gratuito...rs
bjos...