domingo, 6 de agosto de 2006

A Quinta Carta


Certa vez uma cartomante me disse que eu não demoraria a encontrar o homem da minha vida. Eu o reconheceria de imediato. Nós nos casaríamos, moraríamos numa casa com gerânios na janela e teríamos um casal de filhos. O Grande Sacerdote, a quinta carta na casa sete, garantia isso Dias depois, eu descia distraída a avenida Rebouças quando vi ao meu lado o Grande Sacerdote numa Belina branca. Sem dúvida, era aquele o homem por quem esperei a vida inteira. Podia adivinhar-lhe o corpo, o cheiro da pele, a voz. Nós nos casaríamos, moraríamos numa casa com gerânios na janela e teríamos um casal de filhos. Avancei em ziguezague no meio dos carros tentando alcançá-lo, mas o Grande Sacerdote deu seta e entrou à direita na Capote Valente. Foi assim, por uma fração de segundos, que eu perdi o homem da minha vida. O destino sempre cumpre o que promete, mas o trânsito nem sempre ajuda.

conto publicado no livro Ao homem que não me quis, de Ivana Arruda Leite
(já estou viciada nela!)

Um comentário:

Rita Campos disse...

Muito interessante esta pequena história.
è uma prova que não devemos conhecer o que o destino não esconde, devemos continuar as nossas vidas sem preocuparmos o que vem a seguir. O que importa é o presente! não é?

Mas está muito engraçada e um pouco triste esta historial com alguma moral!!!

=)
Sou uma desconhecida Portuguesa