sábado, 30 de setembro de 2006

Doente por Dora


O desejo de ser amado por Dora era tanto, que ele resolveu procurar a tal cartomante. Muito já se havia dito sobre esta mulher: que era bruxa, que tinha pacto com o demônio, e que aprisionava almas. Ele já estava até pensando que se, de fato, ela tivesse esse poder pediria que amarrasse à ele toda a fonte de vida da amada. Dora o deixava fraco e ele odiava amá-la daquele jeito, mas não sabia outro. Queria possuir a alma dela, queria mais que apenas amor.
A sala de atendimento da Cartomante era tão enfeitiçadora que despertou nele desejos há muito tempo reprimidos. Ele confessou a si mesmo que mais do que o carinho, queria ver Dora sofrer, sangrar, doer. As cartas disseram-lhe que aquela obsessão seria sua desgraça e que Dora acabaria de vez com seu sossego e até, com sua vida. Saiu de lá transtornado, suando frio e seu pensamento era só matá-la.
Foi buscá-la no trabalho e a acompanhou até a quitinete suburbana na qual dormia. Amarrou-a na cama e cuidadosamente lhe cortou o rosto em tiras, para que ninguém mais se atrevesse a olhá-la. Os gritos lhe davam um prazer do qual ele jamais tinha usufruído, até mais do que nas noites em que havia gastado todo seu dinheiro em troca do que para ela, era apenas trabalho. Apenas sexo.
Fez com ela amor com gosto de sangue, medo e morte. Obrigou-a dizer que o amava e depois, cortou-lhe a língua. Ela jamais diria isso a mais ninguém. Deu nela duas facadas e antes que ela desse o último suspiro, fez de seus corpos apenas um.
Cortou-se no pescoço e sobre ela caiu.
Dentro dela morreu.


Samantha Abreu

2 comentários:

Anônimo disse...

forte.. forte...

Ricardo Dalai disse...

nussa...depois eu sou q sou melancolico...

ADOREEEIIIIIIII

bjus linda, e com sabor de chocolate