sábado, 16 de setembro de 2006

Johnny Cash não me trocaria por cavalos selvagens


Na minha cabeça, blues.
Ele, parado na janela com o cigarro pendurado na boca.
Eu tentei fingir tristeza, estalar os dedos, tossir, só chamar a atenção e ver se ele me perguntava alguma coisa, como “tudo bem?”, mas não, ele permanecia fixado nos cavalos sendo cruelmente domados lá fora.
Eu entediada, com Johnny Cash aos berros no ouvido, comecei dar uma atenção especial ao Johnny, e me dei conta de que, se tivesse sido uma garota de sua época teria me apaixonado por ele. Afinal, sempre fui a perseguida e retaliada da família só porque não queria casar, adorava viajar sozinha e dançava desesperadamente. Johnny Cash não me escaparia. Ele seria melhor do que essa esfinge parada em minha sala frente à minha janela, vislumbrando meus cavalos selvagens.
Ah, Meu Deus! Quero um homem de cama! Dou risada sozinha todas as vezes que penso isso – “quero um homem de cama” - meu pai cairia duro se me ouvisse. Por isso não casei. Nada é melhor para uma pessoa como eu, do que a liberdade de trocar de homem como de escovas de dente. Mas, Johnny Cash era um homem de cama. Ah era, só pode!
E agora, eu aqui nesse sofá, bebendo sozinha.
— Luis! – gritei quase histericamente. O blues estava muito alto e o vinho já tinha me levantado um pouco os pés do chão.
Ele virou-se lentamente, olhou-me com um semblante sereno de admiração. Eu continuei: — Você não é um homem bom para se usar na cama! – soltei sem querer uma risada sarcástica, deixando-o ainda mais surpreso.
Ele deu-me as costas e continuou admirando a natureza selvagem dos meus cavalos.
Eu preferi continuar sonhando com Johnny Cash.



Samantha Abreu

2 comentários:

Carlos disse...

eu jamais te trocaria por nada Sassá!
Te adoro!

Carlito

Anônimo disse...

OI menina!

tanta saudade de você e esse seu jeito louco de ser maravilhosa!
Um beijo