sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Viagem

Você desse jeito nem nota
minha nova cor de cabelo.
De olhos fechados,
sentada à janela,
sinto essa nuvem sob meus pés.
Enquanto a pílula nada,
eu flutuo.
Chego até sua vida
te vejo de perto,
e você nem nota
que roí todas as unhas,
gastei todo dinheiro.
Volto à minha cadeira.
e me toma o desespero.
Procuro de novo as pílulas,
e de pés flutuantes, navego,
até você.
Lá longe uma linha
corta o laranja do verde,
raios do sol que aos poucos
serão banhado pela lua.
Assusto-me com isso,
tenho medo de viajar no escuro
que a noite tráz em silêncio.
Corro para perto aos sustos,
você não nota,
meus olhos vermelhos,
meu corpo tremendo.
Achei que era medo,
mas vi o frasco vazio,
perdi a conta das pílulas,
e me joguei no seu mundo,
assim, de uma vez, mais uma vez.
Você reparou quando caí,
da nuvem flutuante
que estava sob meus pés.
O barulho foi grande.
estraguei o seu dia, atrapalhei o cinema.
Overdose é sempre assim,
Mas eu te faço um poema,
Prometo.


Samantha Abreu

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