terça-feira, 7 de novembro de 2006

Dalton merece flor


Nosso curitibano Dalton Trevisan é um dos poucos veteranos que ainda se dá o direito de escrever como quer e o que gosta. Sorte nossa!
Continua com seu cunho sádico, masoquista, e a boa e velha falta de pudor com palavras e insinuações.
Está lançando o livro “Macho não ganha flor”, ed Record, e este livro aproxima muito a gente – leitor – dos pobres, usados e escarrados protagonistas. Estes, inclusive, passam pelas mais reais e trágicas histórias que Dalton desenvolve. A aproximação dessa ‘escória’ com a gente acontece, porque os contos desse livro são todos narrados em primeira pessoa. Além disso, ele conseguiu de forma exemplar, tornar ricas as construções de personagens estereotipadas e até um pouco 'clichês', como prostitutas espancadas e seus cafetões, os malandros, as mocinhas assanhadas, etc. O interessante é que, o que normalmente nos causaria asco, acaba fazendo com que a gente até se veja no papel de quem as está vivendo. Fantástico.

Aos 81 anos, Dalton é uma raridade para entrevistas, fotos e jornalistas. Foge deles. As únicas fotos suas, são tiradas como essa daí, aos sustos e surpresas.


Tenho na cabeça um Mini Conto dele, citado com muita interpretação pelo Marcelino Freire na aula-oficina aqui em Londrina.
É esse:


O velho na agonia, no último gemido para a filha:
— Lá no caixão...
— Sim, paizinho.
— ...não deixe essa aí me beijar.
(Dalton Trevisan)

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