terça-feira, 14 de novembro de 2006

Dito & Feito

Segunda-feira: eu começo amanhã, na terça, porque dá azar na segunda. Paro de fumar, de comer, de saudade, não volto lá. Arrumo os armários, corto os cabelos, escrevo a letra daquela música, entrego o relatório da pesquisa. (Eu prometo.)

Terça: sem falta. As borboletas conversam, a gente é que não escuta. As escovas de dente azuis são mais usadas que as vermelhas. Um terço de todo o sorvete vendido no mundo é de baunilha. (Sorvete.)

Quarta: acendo um cigarro, preciso dizer ao médico que o remédio faz efeito contrário, foi a mesma coisa com o meu apetite. Só um alimento não se deteriora: o mel. (O mel!)

Quinta: aquele homem gordo, quase careca, ali na esquina, carregando a pasta, tá vendo? Há vinte anos foi o meu primeiro beijo. Meu corpo treme até hoje entre o dele e o muro. Naquele tempo ele não tinha barriga. (Eu juro, só um chocolate.)

Sexta: com deus me deito, com deus me levanto, pela graça divina do espírito santo. Repetir. (O prato não.)

Sábado: boca de forno! Forno! Farão tudo o que o mestre mandar? Faremos todos! E se não fizerem? Ganharemos bolo! (Oba: bolo.)

Domingo (à tarde): num mato sem cachorro.

Silvana Guimarães
escritora suicida

Um comentário:

Anônimo disse...

OlhA! a loucura da dieta pelos olhos literários!
Ufa! ainda bem!
rsrsrsss