sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Sopa de Letrinhas

A cada vez que limpava a carne pro almoço, lembrava dele.
Aquele pedaço de carne inerte,
à mercê de sua vontade de fazer dele picadinho,
bifes massacrados com o soquete, ou até, quem sabe,
um belo assado onde enfiaria, impiedosa,
uma grossa lingüiçona.
As pelancas, que desprezava,
seriam guardadas para que as comessem
as cadelas vira-latas da vizinhança.
Os nervos, expostos,
serviriam pra uma sopa de letrinhas
que ela tomaria,
engolindo o alfabeto inteiro.
E todas as palavras.
Como fora desde sempre.


Ro Druhens

escritora suicida

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