domingo, 7 de janeiro de 2007

A descoberta do Amor


Quando o primeiro filho nasceu e ela o viu tão desprotegido e frágil, entendeu a vida a partir daquele momento. Deu-se conta, de uma maneira que não se explica com palavras, que dali em diante, não estaria mais sozinha. Nunca mais. Aquela criança era toda sua realização de vida adulta, toda sua ambição por maturidade. Não conseguia mais olhar pra trás e imaginar-se parte da vida errante que costumava levar com as primas e amigas. Aqueles momentos lhe pareciam histórias contadas, das quais nunca tinha feito parte. Às vezes, até se pegava recordando a aquele alvoroço, sentia nos nervos uma paixão, um desejo ardente de voltar a fazer parte daquele mundo inconstante e febril, mas o fervor adormecia junto com seu corpo cansado depois de noites em claro pelas cólicas do filho.
Ela havia tentado muitas vezes entender aquele sentimento tão reconfortante que sentia a cada vez que olhava aquela criança tão dependente de seus braços, sentia que pelo menos para alguém ela seria insubstituível. Por muitas vezes na infância, tinha duvidado do amor dos pais quando estes davam preferências e facilidades à sua irmã mais nova. Depois na adolescência, questionava sua importância para o mundo, e inúmeras vezes tentou revoltar-se contra tudo e todos. Na juventude, teve a crise dos amores. Era ciumenta, não confiava em namorados. No fundo, sabia que brigava por bobagens, por pedras que ela mesma colocava sob os pés para que, de repente, tivesse uma desculpa para tropeçar. Mas o amor de agora, lhe tinha feito mulher. O que sentia por seu filho era supremo, e verdadeiramente recíproco. Reconfortava a alma naquele sentimento da mesma forma como a gente se ajeita no travesseiro para dormir em paz. Não tinha dúvidas de que daria sua vida para que aquela criança jamais duvidasse que fosse amada.
Achou que jamais conseguiria duplicar aquele sentimento, até nascer o segundo filho, outro menino. Foi daí que entendeu o amor que tantas vezes não admitia ser dividido com sua irmã. Seu estado era de tal êxtase que não cabia em si mesma. Agora, quando olhava para seus dois filhos, sabia esclarecidamente, a razão de estar viva e principalmente, a de continuar vivendo.
Tudo em sua vida entrou no eixo. Entendeu seus pais, seus avós, e todas as gerações antes da sua, pelas quais o mesmo amor vinha sendo transmitido. Mais ainda, passou a entender, sem precisar de explicações nem teorias, o amor e todos os seus mistérios, milagres e desafios. Ela o descobriu.

SAMANTHA ABREU

2 comentários:

Anônimo disse...

isso é vontade ser mãe?

SAMANTHA ABREU disse...

Não! Não é...
apenas admiração pelo sentimento...

apenas.
rsrsrss