sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Pandora


O prédio onde morava tinha severos regulamentos, sendo um deles, o silêncio após as 22 horas. Ao apertar o dedo na porta com violência, quisera gritar de dor como louca. Correu ao armário, pegou sofregamente a caixinha que seu pai lhe dera em criança, e mais uma vez levantou ligeira a tampa, soltou o grito lá dentro e fechou-a rápido. Mais tarde, em crise de sonambulismo, abriu a caixa, e os gritos há tanto ali contidos ecoaram em tremendo berro, que quebrou as vidraças e correu pela noite como uma sirene, até cair numa boca-de-lobo e morrer-lhe na garganta.

Tânia Diniz

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