sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Cordões de Folia


Os dedos escaparam, e quando ela olhou para trás não o viu mais. A multidão continuava e a empurrava para frente, cada vez mais distante de onde tinham se soltado. Cordões de carnaval calorosos são tão frágeis a empurrões.
Ela tentava se agigantar sobre os ombros e avistá-lo em alguma roda, mas era inútil. Confetes se misturavam às fantasias e braços ao alto.
Era apenas diversão, e para ela a separação fora tão imposta e tão dolorosa.

Naquela festa ela aprendeu tão bem o que é se perder de alguém, que nunca mais sentiu a mesma dor quando seu caminho tomava rumos diferentes de quem a acompanhava.
Seguiu solitária pelos gritos carnavalescos e pelos gritos desesperados da vida.
No fundo, os gritos eram apenas dela. Mudos e abafados.

Samantha Abreu

2 comentários:

Isquierdo disse...

todo mundo tem uma coisa lá dentro que nunca sai. e quando tenta sair, nem parece. nem aparece. assim, feito prece. muda e abafada.

adorei essa frase: "cordões de carnaval calorosos são tão frágeis a empurrões"

Caminhos Literários disse...

Adorei, você tem um talento nato para a escrita... Seu conto de carnaval me infligiu toda a agonia da separação forçada. Um abraço obrigada por ter visitado o caminhos literários. Colocarei seu blog entre meus favoritos para estar sempre visitando.