segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Nem tudo o que reluz... (da série "Mulheres sob descontrole")


Fui lá de novo só pra ter certeza. Queria ver se ele olhava quando eu passasse, ou era coisa da minha cabeça.
Passei a primeira vez, ele olhou. Quase morri! Meu Deus! O que é isso?! Passei de novo... Ele continuou me seguindo com os olhos. Não pode ser... alguma coisa está errada. Parei o carro na primeira vaga disponível, que era há mais de 3 quadras à frente da loja. Andei todo esse trecho ajeitando a roupa, treinando caras e bocas pra quando ele viesse falar comigo.
Entrei na loja disfarçando como quando a gente finge que está passando apressada frente à uma vitrine e vê algo de que está precisando demais, com aquela cara de quem nem acredita que encontrou. Entrei. Ele estava lá, estático e me olhava continuadamente. Isso me deixava cada vez mais eufórica.
Continuei olhando as prateleiras, como quem não está mais com pressa, pois achou tudo muito interessante.
Já fazia tanto tempo que eu não ficava com homem nenhum, que nem saberia mais o que dizer. Meu desespero parecia gritante, como se todos que me olhassem soubessem que se tratava de uma solteirona, encalhada e incapaz de seduzir alguém. Lembrei de quando minha avó disse que a maneira como uma mulher se porta frente a um homem dia a ele tudo o que esperar dela, mostra suas reais intenções. Isso me causou até medo, já que as minhas não eram as melhores.
Eu ficava olhando pra ele de lado, pra garantir que ainda estivesse ali, ao invés de sair correndo ao ver que eu estava me aproximando. Dei-lhe um sorriso, e nesse momento – nesse exato momento – ele saiu de trás do balcão e começou a se dirigir em minha direção.
Ai meu Deus! Ai Meu Deus, não fui capaz de passar um batom sequer. Essa blusa horrorosa, nem um decote. Puta que pariu, hein Sueli.
Ele estava cada vez mais perto. Eu estremeci.
- Olá!
Eu, com a cara de abobalhada que só eu consigo ter:
- Você está sozinho? ... Digo... Você trabalha aqui?
O constrangimento tomou conta da cara dele, quando me soltou a bomba:
- Te conheço, não está lembrada? Você não é irmã do Edu? Já fui taaaaantas vezes na sua casa... Eu e ele saíamos juntos, há muito tempo atrás.
Ahhh!Ahhhh! Não acredito que fiz isso! Não! Não!
- Sim... agora me lembro... – eu quero um buraco pra enterrar minha cabeça e deixá-la ser comida por formigas canibais. – quando vai aparecer lá novamente, pra uma visita?
- Então Sú (ele me chamou de Sú!) – eu e seu irmão estamos brigados, tentei procurá-lo algumas vezes, mas não nos reconciliamos até agora! Ele não me perdoa, menina!

A tortura era demais, eu tinha que sair correndo dali. O mais rápido possível.
Olhei para o relógio:
- Olha, tenho que ir. Aparece lá... ele muda de idéia, é sempre assim!
Saí apressada sem nem lhe dar o direito de resposta. Pra mim bastava.
Além de encalhada, fracassada e ridícula, agora dei pra flertar na rua com namorados do meu irmão.
O que mais me resta, meu Deus?

Samantha Abreu

10 comentários:

Ricardo Dalai disse...

ta mais q perfeito isso aqui
lindo demais
saudade
fui hj na central
encontrei a paula e a silvana
vc nada...hunf

bjus

Andreia Dequinha disse...

Que atire a primeira pedra quem nunca passou por uma situação parecida, né? Eu então... sou a rainha dos gorilas, porque meus micos há tempos já cresceram! rs rs rs

Muito divertido o seu post e muito interessante o seu blog! Virei com mais calma ler tudo, tenha certeza. Sou bem-vinda, né? Beijos e boa terça.

Rê Ruffato disse...

Hahaha, nao se sinta ridícula, todo homem é um cadastro em potencial. Nao desista, mesmo pq esse tipo de "problema" tá comum, comum.
Cadê os homens desse país!!???
beijao

Diogo Lyra disse...

É, minha cara Samantha, o bom e velho heterossexual masculino está em falta - mas felizmente não estamos extintos! Adoro suas mulheres paranóicas!!!!!

Ricardo Dalai disse...

uia...SERIO!!!

me manda o numero dela depois, pq eu perdi
bjos

camilla disse...

muito bom!!!!!!

Leo Bueno disse...

Roteirista de "Desperate Housewives"? (rs)

Brincadeiras à parte, as coisas andam tão diferentes nesse mundo que nem sabemos mais como nos portar, né? Tanto que te pegam de surpresa nas lojas e até ocorrem semi-assédios aqui do meu lado. É a vida, não?

Tá cada vez melhor teu blog. Se você desenvolver essas séries de textos que propôs, será melhor ainda. Gosto desses lances de série, de sentimentos parecidos, etc.

Beijo!

A Gata por um Fio disse...

Demais, essa!Adorei...

Daniel Nérso disse...

hahahahaha... desculpa, mas agora vc é oficialmente culpada por todos meus colegas do estágio ficarem olhando pra mim enquanto eu dava risada e me contorcia compartilhando sua vergonha!
Mto bem escrito!
Se te conforta, é MUITO mais difícil para um homem sair de trás de um balcão para ir conversar com uma menina... exceto se ele for o namorado do seu irmão ehehehe
bjos

PS: Te achei no blog de alguém que já não me lembro :\

Anderson Almeida disse...

Cômico... e bem construido... a série faz jus ao nome!!!!!