quinta-feira, 22 de março de 2007

Afinidade


Quero deixar esse texto aqui para minhas amigas tão maravilhosas, que me têm suportado na alegria e na tristeza, mesmo diante de tantas provações, chateações e problemas.
Para Evelise, Roberta, Rossana, Camila e em especial, por tantos anos, para a Talita, Giele, Lizandra e Solange.
O mais surpreendente nelas, é que embora me conheçam tão bem, ainda continuam ao meu lado.


Afinidade
Artur da Távola

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois. A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi.
Ter afinidade é muito raro. Mas, quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com,
Não é sentir contra,
Nem sentir para,
Nem sentir por,
Nem sentir pelo.
Sentindo, é olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades. Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida.

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi Sami, adorei o texto e a homenagem...saiba que vc é, e sempre será uma das minhas grandes e eternas amigas...
Adooorrrroooo vc prima!!!..rsss
beijão
Liza