terça-feira, 27 de março de 2007

Resignados


Eu tinha tanta certeza daquele amor, que fechava os olhos e apenas o seguia. Era tanta paz quando estava rodeada por ele, que eu me sentia criança em tardes de domingo. Os momentos eram doces, completos e intensos.
Fiquei tão cega, que não percebi as ondas de tristeza que se escondem por trás de toda resignação sonhadora. Era assim que eu me escondia sob o que a gente chama equivocadamente de mundo perfeito ou de amor verdadeiro.
Entretanto, essas ondas, mais cedo ou mais tarde, ganham mais força que as pedras, e as destroem. Foi em um desses domingos tão iluminados que morri afogada por mágoas.
O mundo não é assim tão perfeito como a gente imagina, e é aos domingos que as crianças mais se machucam. Naquelas horinhas de distração com a felicidade, a gente se perde nas braçadas e é engolida pelo buraco negro do amor fragilmente perfeito.
Amor estupidamente ideal é sempre tão suscetível a enchentes.



Samantha Abreu

6 comentários:

F. Reoli disse...

E as nuvens dessa chuva nem sempre são feitas de algodão doce... mas de uma forma ou de outra, sempre deixam sabores marcantes no paladar...
Beijooo

Rê Ruffato disse...

sá, vc se superou. Vou postar esse seu texto, pq ele sou eu, não tem jeito. (claro q darei os créditos para a escritora).
Parabéns!!!!

4rthur disse...

Muito bom. E muito triste quando a chega a essa conclusão, né?

"Amor estupidamente ideal é sempre tão suscetível a enchentes".


E mesmo assim, a gente se deixa levar pelas ondas. E nada. Mesmo contra a corrente.

Fabrício Fortes disse...

talvez seja sempre domingo..

T§ disse...

Samy, homem não presta. Amaré um erro!!

beijo

SAMANTHA ABREU disse...

Concordo Társis!
por isso é que desse mal (o amor, não os homens!) eu não morro!
rsrsrs