quinta-feira, 5 de abril de 2007

Privações que só o amor oferece

Ela queria mesmo era viver na corda bamba de uma enorme aventura cotidiana. Empenhou-se tanto para que sua vida fosse tão só de momentos, que resolveu ser prostituta. E tornou-se a melhor, a mais profissional. Amava o que fazia e o prazer que sentia, na verdade, era em viver o perigo e a expectativa dos seus próprios limites.
Nervos à flor da pele.

... Quando se apaixonou por ele, a dúvida lhe veio avassaladora: viver ou amar? Como decidir ou resistir a duas febres tão fortes e tão envolventes? Não soube. E por anos, se manteve na relutante indecisão entre assumir que amava, pura e simplesmente apenas àquele homem, ou se entregar, sem volta e unicamente, ao seu inflamável êxtase cotidiano.

Na velhice, quando frente ao espelho, deu-se conta de que algo havia se perdido no momento da dúvida. Não tinha feito intensamente nenhum dos dois.
O amor não tinha lhe tinha permitido viver o que era necessário. A alma ficara presa por aquele sentimento tão vital, que fez dela uma mulher podada.
O Amor tem essas garras tão decepadoras.


Samantha Abreu
Foto: ed van der elsken

3 comentários:

Lunna disse...

GOstei de seu blog e de suas palavras. O descobri através de um outro blog que adoro. Que agradável surpresa. Quando me dei conta já estava no rodapé do blog...
Ah! Adoro Clarice Lispector e com certeza irei conhecer a exposição que será feita no Museu.
Abraços

Rê Ruffato disse...

putz, será que vivo na utopia, esperando um amor que me traga vida? viver ou amar... quero os dois, intensamente.
Ai, ai... bj

SAMANTHA ABREU disse...

Rê...
sinto em lhe informar, mas experiências mostram que ter os dois é impossível.
Acho que vc vai ter que escolher!
rsrsrsrsrs