domingo, 20 de maio de 2007

Coloral


Quando ele foi embora, ela tratou logo de tirar todas as flores e cores da casa. Pintou todas as paredes de Bege.
Aquelas flores só faziam cheirar à cemitério. Ficavam sobre o aparador, estáticas e cabisbaixas, velando toda a energia que com ele tinha se esvaído.
A casa fica sóbria assim, pálida. Ao contrário dela, entregue às alucinações, às pontas de viagens inacabadas e um alcoolismo anestesiador.

Coisas muito coloridas têm cara de criança, ou de prostituta.
O estranho era que, mesmo com tudo em bege tão discreto, longe dele ela estava se sentindo um pouco dos dois.


Samantha Abreu
foto: lilya Corneli

9 comentários:

"No Silencio... Palavras" disse...

Legal demais Samantha, descobri seu blog atraves do Orkut e gostei muito!
Estarei sempre por aqui agora...
Beijao!

Natália disse...

Gosto de contos assim..

ótimo!


saudações.

Rafa Avansini disse...

Meo, adoro seu estilo!
E esse conto rápido então... Nooossa, orgasmos múltiplos.
Adorei Sa!
Bjo

F. Reoli disse...

Suas palavras tem cor de realidade!!!
Te beijo

Linda Graal disse...

Porra Sa!!!!!!!!!! Esse tá perfeito!! aff!! o estranhamento do final é maravilhoso!! amei!! amplexos maiores ainda! rsrs!

Nao tem Sentido disse...

Muito legal, ainda mais quando vc fala de coisas muito coloridas... concordo. Bjs

Nao tem Sentido disse...

Muito legal, ainda mais quando vc fala de coisas muito coloridas... concordo. Bjs

Fabrício Fortes disse...

e essa coisa de às vezes a memória parecer trabalhar apenas com imagens em preto&branco..

Diogo Lyra disse...

E no fim das contas, o somatório de todas as cores dá em branco...

*andei desplugado, mas estou de volta!