sábado, 12 de maio de 2007

Às Amarras

Não sei como começou
Quando acordei
essas correntes já estavam aqui.
E eu, amarrada
aos teus pés.
E eu, presa
à tua vida.

Não me olhe de cima, meu bem.
Eu jamais quis estar aqui.
É tua a culpa
dessa dependência
Química
Cínica
Crônica.

Amarras
arrastam-me mundo afora
em tuas aventuras
não posso correr acorrentada
Dói,
quando me olhas assim
de cima,
meu bem.


Samantha Abreu
foto: Lilya Cornelli

9 comentários:

Fábio disse...

Muito bom isso, hein! Talentosa, você. Naturalmente. Beijo!

Diogo Lyra disse...

É, meu caro Fábio, isso é uma unanimidade...
Nossa Samantha, que sofrido. Cheguei a murchar no final!
Obra de uma sensibilidade à toda prova...
Beijocas!!!

Gabriel disse...

Muito bom Samantha!
gostei do trecho "dessa dependencia química, cínica crônica"!

E vc disse tudo no comentário que fez há pouco no meu, obg!
ótima semana pra vc!

Nanci disse...

Lindo...

As amarras muitas vezes apertam pra doer, mas são por nossa livre e espontânea vontade.

BJO!

fabrício fortes disse...

bonito e triste..
não sei dizer se mais bonito ou se mais triste..

F. Reoli disse...

Sempre há de existir novos e intrigantes ângulos...

* Quanto as minhas palavras, espero que esse poder possa ser alvo de deliciosas descobertas, seja em pele, pensamento ou palavra... te beijo!!!

Linda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Linda disse...

Ai Ai..."quando me olhas assim/de cima,/meu bem." e de fora...e essas correntes e como é livre o que sentimos dentro...não temos escolha...e é isso!! Sempre linda...sempre crônica...quimicamente falando..."É tua a culpa/ dessa dependência" em ler-te muito e sempre!
Beijos!!!

4rthur disse...

"Eu preciso andar
Um caminho só
Vou buscar alguém
Que eu nem sei quem sou"



Libertas quae sera tamen!