domingo, 10 de junho de 2007

e o FILO, como anda....

Já vi três das oito que vou assistir. E estou muito satisfeita até agora.
La Mirada del Avestruz foi fantástica. Tive a impressão, a todo o momento, de os movimentos no palco representavam meus surtos, minha inconstância, minhas dúvidas, aflições e tal.
Foi tão deslumbrante aos olhos, como angustiante para o espírito. Contrastes que existiam no palco – coberto de terra – e que era transmitido como êxito ao público boquiaberto. Adorei.
Saí de lá com os sentidos latentes e a sensibilidade muito aflorada.


Amores surdos
Grupo Espanca! de Belo Horizonte - MG
Sinopse:
Uma família formada por um pai ausente, uma mãe zelosa, um caçula com problemas respiratórios e mais quatro filhos - um deles sonâmbulo. Mesmo acordados, eles não se ouvem, não se enxergam e não se percebem. Rituais do cotidiano que conduzem à alienação e à incomunicabilidade. A poesia está nas situações desse cotidiano anestesiado pela rotina

Sabe aquela impressão contundente de que você não faz e não fará (caso não mude) nada de importante na vida. E também aquela amargura de reconhecer que você não dá o devido valor às pessoas mais importantes da sua vida. E também aquela tristeza de perceber o quanto a vida pode ser sutilmente amarga, sem te deixar perceber como ela te empurra pra baixo, e você se acostuma a viver na lama soterrados pelo descaso, indiferença e, cada vez mais, falta de capacidade de se ligar afetivamente à alguém.
O auge da peça, pra mim, foi quando a atriz no papel da ‘mãe’ gritava, para todos os cantos: “tem coisas na vida que foram feitas pra se viver com elas”. A emoção que ela transbordou me fez derrubar algumas lágrimas e arrepiar alguns pelos.


Eu Passarinho, Eles Passarão...
Grupo Cia. Megamini, São Paulo
Sinopse:
O encontro de Lili, uma menina que quer encantar o mundo, com o garoto Quintana, que sonha em ser poeta. No final, eles acabam por descobrir que são a mesma pessoa, que um não pode viver sem o outro, que poesia e poeta são um só no desejo de reinventar o mundo. Uma ode ao amor e à esperança. Uma homenagem ao poeta Mário Quintana

Confesso que não sabia que a peça era infantil, mas, ainda assim, gostei. Foi encantador ver as poesias de Mário Quintana musicadas, representadas e recitadas de forma tão delicada e lúdica. Foram 18 poemas do livro Lili Inventa o Mundo que, mesclados à peça, nem se fizeram impostos e ficaram ainda mais próximos da sutiliza do cotidiano.




Hoje, vou ver a peça SILÊNCIO
Grupo Lês Trois Clés, França
Sinopse
: Livremente inspirado em “A Casa de Bernarda Alba”, de Federico Garcia Lorca. Uma casa permanece fechada num luto de oito anos pelo falecimento do marido de Bernarda. Uma memória tirânica, imposta por uma mãe que enclausura as filhas após a morte do marido. Sem palavras, este é um espetáculo de bonecos, dança e técnicas de circo.

Um comentário:

Diogo Lyra disse...

Taxista, siga esta mulher!