quinta-feira, 28 de junho de 2007

Perdidamente

De que me adianta gritar nesse buraco de lama derrama minha dor cama quente vazia ausente é você da minha loucura cretina e prostituta vendida por pequenos gestos tão frágeis mutáveis e efêmeros sentimentos transbordados de febre de calor e de abandono feito meu cão solitário lambendo-me os pés cansados descalços doloridos de tanto correr quando você se vai e me deixa sozinha em sandice me confunde não quero não quero e desespero não sei se saio se caio se maio ou dezembro não lembro a última vez era a ultima vez e se repete todas as vezes que você se aproxima feito ladrão furacão solidão na madrugada inesperada surpresa de domingo vontade maior e quando se fortalece não estás aqui de novo e de novo e de novo eu sem direção à mercê da sua vontade sua falta coragem caráter e maldade amor espeto me fura mortal tão profundo que dói infinito eterno tormento quando você fica eterno lamento quando você vai e eu sozinha com essa loucura esse desequilíbrio no labirinto tão longo tão escuro imaturo é sua atitude pueril e mil ilusões construídas com suas mãos quando derrubadas por ela foram os castelos dessa areia tão suja que me lambuza de suor maior do que os poros e choro choro choro choro não posso mais enxugar essa poça de água seu corpo caiu no buraco onde estou me acertou na sensatez e de novo acredito na tua boca me falando amores bandidos jamais reprimidos jamais resistidos teu corpo caiu do tiro ao alto desse buraco onde estou aqui acabamos meu bem e a luz não entrou não.


Samantha Abreu

12 comentários:

Linda Graal disse...

Muito muito muito muito bom!!!
esse desespero de "não sei se saio se caio se maio ou dezembro não lembro a última vez era a ultima vez e se repete todas as vezes que você se aproxima"........
realmente, maravilhoso!!

beijo

GABRIEL RUIZ disse...

Muito foda esse texto Samantha!
Esse jeito peculiar da escrita sua agrada bastante. Em vários, em várias palavras pontos me vi, como se descrevesses coisas que sinto...

"não lembro a última vez que era a última..." - genial, o trecho.
Tenho a impressão de que ele foi escrito e digitado rápido, voraz e meio desesperado talvez... será?

valeu, beijo

Diogo Lyra disse...

Isso tá ficando cada vez melhor!!!

Ludmila Barbosa disse...

Concordo com o que o Diogo disse, isso está ficando cada vez melhor, sem sombra de dúvida.

brain of J disse...

Ótimo, ótimo!!!
Esse texto é um furacão!!!
Arrebatou os pontos e o chão de debaixo dos meus pés e subi mais alto do que nunca e lá de cima vi mais longe, bem mais longe!
Obrigado por me trazer inspiração, garota!

Beijos mil!

Jota disse...

Aliás, correção.

Todo teu blog me faz adorar poder sentir cada vez mais. Poder sentir o que você escreve.

Beijos!

Andreh disse...

muito poético!
e muito sôfrego!
adorei MESMO!

ah, sim: valeu pela visita ao meu blog! volte mais vezes e comente mais!

4rthur disse...

essas coisa de não botar ponto imprime um ritmo angustiante à leitura. "Sôfrego" foi um mesmo um bom adjetivo pra definir esse sentimento.

Quando comecei com o blog, escrevi um textinho falando do García Márquez e dos seus contos de um ponto só, acho que você vai se interessar:

http://absurdosturos.blogspot.com/2007/01/ontem-noite-minha-bonita-fiel.html

Samantha, depois de adorar tudo o que leu aqui, disse...

Arthur
interessar não! Eu a-mei
é bem dessa angústia que eu gosto, dessa coisa sem limite, sem fôlego, sem direção.
e não me pergunte porquê. Simplesmente gosto. E muito.

talvez seja um dos maus necessários que a literatura faz pela gente... e quem pode viver sem? rsrsrsrs
beijos
beijos

*¢£@üD!NhA''' disse...

Respira!!

Lindo lindo lindo lindo!!!

Palavras meio inúteis, mas ainda tenho o peito pesado...

;****

F. Reoli disse...

Gosto quando você deixa meus olhos e os meus pensamentos assim...sem fôlego!!!
Te beijo

Fabrício Fortes disse...

isso foi estupendo.
me apropriando de diogo lyra, "cada vez melhor"