quarta-feira, 11 de julho de 2007

João Silvério Trevisan é um doce

Participei ontem e hoje da Oficina Literária com João Silvério Trevisan. Foi uma pena ter durado tão pouco. Uma oficina de dois dias deixa sempre um gostinho de “quero mais” e eu quero mesmo, muiiito mais.
Falar de poesia não foi difícil... ela parecia tão perto da gente, presente no simples ato de atravessar a rua. O cotidiano repleto. Lindo. Basta mudar o grau das pupilas.

Falou de como temos que ver fantasia, usar a imaginação e mudar a forma de ver tudo o que está a nossa frente. E quem há de negar?
Falou de tanta gente, leu tanta coisa, ouvimos tantas canções. Foi emocionantemente poético.
Eu concordo com a história dos fantasmas que a gente esconde atrás das máscaras diárias de vida ‘normal’. Já disse isso várias vezes. Carl Jung já disse naquela filosofia toda das Personae que a gente usa pra esconder, nas sombras, os nossos demônios. E são eles, nossos demônios, que lutam pra aparecer através da nossa sensibilidade e de toda nossa expressão mais pura. E aparecem, não tenho dúvida. Se não fosse a arte e a poesia... onde mais eles estariam? E não é por tentar soterrá-los que tanta gente explode, surta?
Quero ainda procurar por tanta coisa citada por ele, e sei que ainda há muito mais lama nesse mangue, onde quero mesmo é morrer engolida.

E pra não morrer de ansiedade tivemos que comer, nos dois dias, os doces da Holandesa. Eu comi bombons e bolo, e ele a viciante tortinha de nozes. Mas, Deus sabe que só fiz esse sacrifício para acompanhá-lo já que eu, sinceramente, não sou muito fã de doce (ai... como mentir é bom!).

Vou deixar aqui um dos poemas que ele recitou, e que me deixou extasiada.
Vale a pena sentir cada palavra.
Eu dedico à minha irmã.

Juntas
Tu e eu
Duas adagas
Cortando o mesmo céu
Dois cascos
Sofrendo as águas
E as mesmas perguntas

Juntas. Duas naves
Números
Dois rumos
À procura de um deus

E as mesmas perguntas
No sempre
No pasmoso instante.

Ah, duas gargantas
Dois gritos
O mesmo urro
De vida, morte

Dois cortes
Duas façanhas
E uma só pessoa.

(Hilda Hilst)

Um comentário:

Diogo Lyra disse...

Sabe-se que a nobre poetisa teve um caso com o Drumond e afirmou que só não deu certo porque o mineiro amava a mulher dele!