quarta-feira, 4 de julho de 2007

A Solidão das Suicidas

uma artista

Morta.

Na varanda, a mesa posta. Toalha de linho irlandês. Limoges e Bacarat, restos de trufas e champagne.

Morta e nua.
Na boca, restos de porra e formicida.

Nos lençóis, a graxa do motorista, a terra do jardineiro, as luvas do mordomo, o leite do leiteiro, a massa do padeiro, as tripas do açougueiro, o suor dos jogadores, o vento dos marinheiros. E as palavras do poeta.

Morta.
No bilhete de despedida a letra desenhara com pena de ganso:

"Que me ponham as mãos em cruz, sobre o sexo, e nelas sejam pregados os restos de todos eles".

Ro Druhens
escritora suicida

2 comentários:

T§ disse...

Porra e formicida???

o_0

Malditos góticos. Tudo bem eu SEI que vc devia ter ganho uma Caloi Cecizinha qndo criança, mas.. tb não é pra tanto!

:D

Diogo Lyra disse...

Abissal!