domingo, 19 de agosto de 2007

Dor à Óleo

Toda dor é necessária.
E eu, aqui, fingindo que a vida é uma obra de arte. Fico parada, vidrada nessa parede, admirando, observando, tentando.
Preciso entendê-la, meu bem.
O passado me assusta e deixa tudo cada dia mais longe. Aquela que eu era está pendurada nessa tela à óleo com traços tão incertos, tremidos. Sei, e você também sabe, que sou muito mais os defeitos do que a perfeição da tinta corrida.
Enquanto sigo o declínio dessa linha _____
.........................................................._____
.................................................................._____ que não me leva mais à lugar algum, fecho os olhos e consigo, ainda, tocar a tua pele, teus pelos e sinto teu cheiro.
Essa dor é inevitável, assim como todas as outras: o ódio, a solidão, o cansaço e a maior de todas, o amor.
Não vou mais voltar para casa, babe.

Prefiro, agora, ver nosso amor dentro dessa moldura. Fiz da dor minha obra de arte e quero, finalmente, apenas contemplá-la.
Deixo para você o ardor do arrependimento. E não vai lhe adiantar um belo banho. Essa tinta não sai, nunca mais.


Samantha Abreu
foto: Katarina Sokolova

21 comentários:

Rê Ruffato disse...

fazia tempo que nao vinha por aqui, o blog está liiindo. E esse texto então... sem palavras! Deixo-as pra vc, ;-)
Beijao!

Cin disse...

O melhor de tudo que já li por hj.
Bjos!

Mila disse...

Certas coisas fazem da gente pedaços de linhas que, descendo, levam ao fundo do poço. Mas a gente finge que nada acontece. Porque a gente é fodona mesmo.

Vlademir lazo Corrêa disse...

Oi Samantha, vim conhecer teu blog e retribuir a visita ao Armadilha Poética. Esse seu espaço é de alto nivel, parabéns! Quanto aos textos que por aqui li até o momento, gostei do conteudo claro, simples e objetivo. E por vezes existencial. Beijão!

Diogo Lyra disse...

PÔ SAm, sensacional o novo look do blog! E o pequeno conto, então, nem se fala...

Priscila disse...

Olá, Samantha! Tudo bem? Em primeiro lugar adorei a foto, linda mesmo!
A vida, a dor, o amor...tudo se encaixa perfeitamente neste texto!
Parabéns!

Bjos
Pri:)

Jana disse...

pra mim precisamos da dor pra assimilar a propria vida...

beijos

fabrício fortes disse...

ótomo texto.. eu, particularmente, acho que toda a dor é contingente.. mas ficou bem bom..

fabrício fortes disse...

rsrsrs..
digo, ótimo (e não ótomo).

Ludmila Barbosa disse...

Adorei a nova imagem do blog... e o texto então...

paulo. disse...

um bom banho quente, pode dar um gás ou preparar um boa noite...
como sempre, bons textos...
beijO!

Cin disse...

Oi flor, dá uma passadinha no blog que tem desafio pra vc.
Bjos!

Rodolfo Brandão disse...

Olá Samantha seguinte, sou cunhado da Cristien Marques, acho que vc sabe quem é! Curso jornalismo na Unopar - to precisando de alguém para dar uns toque em português, mas a travez do que escrevo - da minha forma de escrever. Adoro cronica - artigo - e algum relacionado com constos.

POstei este, que por sinal, não tem nada relacionado com seu txt. mas é que não encontrei nenhuum contato pra conversar contigo se não por aqui. Aguardo respostas.

VLW pela atenção e pelo espaço - OK!

4rthur disse...

indescritível o que achei desse texto. Me trouxe várias sensações, quase táteism, do sofrimento, do ardor do arrependimento, da força dessa tinta insofismável. E a foto, sempre, muito bem escolhida.

GE
NI
AL

Marília Silva Tavares disse...

toda dor vem do desejo de não sentirmos dor...
guardá-la em uma pintura é só uma forma de atraí-la...
Beijos!

Carol disse...

Nossa!
adorei ler isso!
beijos

anjobaldio disse...

Muito bom.

Yara disse...

Perfect! É um texto melhor que o outro. Sem comentários. Dor, pintura, sentimento, literatura, vc tem o dom garota. Sou sua fã.. uma otima semana. Beijos.

anjobaldio disse...

Samantha, valeu a visita. Um forte abraço.

lyS disse...

Que forte isso!
A dor emoldurada em obra de arte.
Bj

Linda Graal disse...

pois é...não sai...tinta...não saem...palavras...é isso!!

declínio de lin
nha!

adorei!