quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

e o Concurso....

A festa foi linda... São Paulo, críticas à parte, me deixa fascinada. A loucura gostosa de ver o tempo voar. Sim, eu gosto disso: da loucura e da velocidade.
Pena que um dia só, não dá nem o gostinho. Fica só o ‘quero mais’. E quero logo!
Levei o 2º lugar.
Adorei.
Na antologia desse ano tenho 3 poemas e 3 contos, o que me deixa muito feliz. Desses contos, o Revolução de Botequim foi o finalista e vou colocá-lo aí abaixo.

Poemas:
Arrebatamento
De Cabeça
Assombração

Os contos:
Última Chance
A Liberdade é Roxa
Revolução de Botequim
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à minha direita, Dani e à minha esquerda, Ana. (1º e 3º lugares)

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Revolução de botequim


...O marido saiu para trabalhar e a deixou na cama, feito criança em feriado. Foi para o trabalho, como fazia todas as manhãs. Suas maiores satisfações era acordar ao lado dela e, depois, vê-la novamente após um dia cansativo.
...Enquanto isso, ela ficava cuidando do lar, delegando tarefas à governanta. Pedia que as almofadas do sofá ficassem arrumadas do jeito que ele gostava e que o controle da televisão estivesse ao alcance das mãos, quando ele se deitasse para assistir ao telejornal. O jantar tinha que ser preparado com o tempero preferido dele, a salada com as folhas que ele mais gostava e a sobremesa deveria estar esperando na geladeira, assim como ela.
...Naquele dia, ela resolveu sair, após o almoço, para fazer algumas compras. Queria também caminhar um pouco e escolher pessoalmente as frutas e especiarias para o jantar. Aprontou-se com o vestido de flores miúdas que lhe deixava com um ar recatado e a fazia se sentir à vontade. Prendeu os cabelos como há tempos não fazia, assim, eles a deixavam com um aspecto naturalmente desprovido de obrigações. A franja caía sobre o nariz, fazendo com que ela levantasse o olhar e a sobrancelha. Estava misteriosa.
...Pegou a sacola e saiu andando pela rua como se tivesse nuvens sob os pés, como se a sua vida fosse diferente da do resto do mundo. Sua paz e tranqüilidade contagiavam quem a observasse. Ela mantinha um sorriso maroto, e sentia vontade de cumprimentar estranhos na rua. Parou em uma esquina, em frente a um botequim, e pode ouvir homens e mulheres rindo e conversando enquanto bebiam. Pensou em como seria prazeroso misturar o anseio que estava sentindo com a alegria daquelas pessoas. Entrou no bar, com a sacola pendurada nos braços, e pediu uma cerveja. Bebeu a primeira sozinha e, depois, já um pouco alterada, fez amizade com alguns companheiros de balcão. Ria de si mesma. Ninguém jamais imaginaria encontrá-la naquele lugar, e isso a divertia ainda mais. Estava sentindo o calor da rebeldia em seu sangue, que começava a ferver com intensidade assustadora. Ria cada vez mais alto, contava piadas, histórias de seu marido, da época de solteira e das festas na faculdade. Não lembrava do jantar que tinha planejado, nem que devia voltar para casa. O prazer que os novos amigos e amigas do bar estavam lhe oferecendo superava qualquer outro que o marido pudesse lhe proporcionar naquele momento. Passou a tarde inteira conversando e rindo com pessoas que jamais conheceria em seu cotidiano e compartilhando alegria com estranhos tão íntimos de seus desejos de liberdade.
...Quando se deu conta, o sol já havia se posto e precisava, sem demora, voltar para casa. Despediu-se dos companheiros e saiu, com a sacola vazia, as pernas bobas e os braços balançando relaxadamente. Ainda mantinha o sorriso, mas, agora, por lembrar das bobagens que tinha ouvido e de tantas coisas engraçadas que havia dito.
...Ao abrir a porta, pôde ver o marido esperando-a no sofá, sem ter desarrumado uma almofada sequer. Olhou para ele e não conseguiu segurar o riso sarcástico que explodiu em seus lábios, carregando o ambiente com intenções de mudança. Ergueu o vestido, sentou no colo dele e fizeram amor como loucos, sem dizer uma palavra.
...Ele, pela primeira vez em anos, dormiu nu, sem o pijama de mangas, e ela, satisfeita como nunca com a revolução que aquele dia causara em seus hábitos, desejos e pensamentos. Não era a mesma, jamais voltaria a ser. Não era mais uma boneca, agora, era uma mulher.
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19 comentários:

Otávio Augusto Martinez disse...

Muita saudade de você, menina! Minha vida virou de ponta-cabeça! Preciso tanto falar com você.
Já que gostou tanto, quer vir morar em São Paulo? hehehe.
Não deixa de passar lá no meu humilde blog. Tuas palavras são sempre como bálsamo para minha alma atormentada
Beijos

Clóvis disse...

É, São Paulo é uma maravilha mesmo.
E tua prosa é bela, instigante, gostei muito.


Beijo.

FINA FLOR disse...

também gosto da velocidade de sampa.

parabéééééns pelos prêmios, flor, você merece!!

ó, estou passando para dizer que espero que os melhores frutos caiam em seu cesto no ano que está prestes a começar e que seus dias sejam sempre perfumados por brisas doces!!! sorte e sucesso!

beijos e até

MM.

Jota disse...

E vivas à liberdade, à leveza, ao laissez-faire! A gente não tem mesmo como desfrutar da vida ao máximo sem antes desfazer as amarras.

Parabéns pela premiação! Mas que concurso é esse, exatamente?

Paulo Bono disse...

suas palavras merecem estar publicadas, samantha. parabéns.
grande abraço

McFly disse...

U-u-u-u-u-u-au!

Que palavras ceder a quem tem todas?

Jota disse...

Teu blog me dá muito trabalho, Samantha. Às vezes eu deixo de lê-lo pq não quero sentir emoções fortes no dia. Esse daqui e os outros, claro.

Eu sou apaixonado por poesia. E vc tá na minha estante, do lado do Leminski e do Quintana. Isso, vc sabe, não é pouco.

Beijaços!

anjobaldio disse...

Õi Samantha, foi massa conhecer tua arte. Desejo-te boas festas, e um ano novo maravilhoso repleto de criatividade e muita paz no coração.

lizandra disse...

Saudades amiga...adorei saber que mais uma vez me deixou orgulhosa!!!
VC é mais que demais...
Adorooooooooooooooooooooooo...

jucosfer disse...

e vc está de parabéns!
Começou bem o Natal.

Um beijo

Bianca Feijó disse...

Parabéns Sa!!!!
Tenho certeza que muitos,mais muitos prêmios ainda virão,pois você é exímia na escrita.
Beijos!

Tyler Bazz disse...

Muito, muito bom mesmo! Mereceu o prêmio!!!


;P

Jota disse...

Ando contente, fuçando o blog do Projeto Macabéa. Idéia feliz, aquela.

disse...

Maravilhoso. Essas pequenas e simbólicas revoluções particulares podem transformar um casamento em algo menos morno, uma vida em um projeto de inconstância. Incrível, Samantha.

disse...

Ah, parabéns pela excelente colocação no concurso. Mais que merecida, tenho certeza.

Como eu sou uma debutante nesse mundo dos blogs, fui olhar um a um os seus textos escolhidos e comentei cada um. E, obviamente, eles são anteriores à minha entrada por aqui, como eu esperava. rs.

Bjs, moça.

Polly disse...

Amélias que ainda vivem nos dias de hoje só têm duas saídas: ou fazem como sua personagem e vão à luta ou fadam seu relacionamento à ausência de si mesma para que o outro possa viver...geralmente com outra! Adorei!!!

Parabéns pelo prêmio! Parabéns pelo seu talento e tudo o que eu posso desejar é que 2008 seja um ano de grandes sucessos, deliciosas idéias e uma vida repleta de muito sorriso no rosto.

Beijos

McFly disse...

Ainda estou embasbacado.

Quero aprender a contar.

Alê disse...

Pimenta, agora que tive um tempo para degustar seu conto. Achei fantástico. Temperos corriqueiros a moda Samantha de ser.
Beijos

Renato Alt disse...

Meus parabéns.
Acabei de conhecer o blog, através de uma amiga, e já pude ver o quanto foi merecida a premiação.

Tendo tempo, e paciência, convido a conhecer meu espaço.

Abs,
Renato