segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Meio-Ser

Por que me chamo ser,
se outros são mais
e não são?
Sou apenas o meio
do caminho,
dos sentidos,
da lucidez.

O meio-ser
que está em cada um
que vejo.
De metade em metade
tento me fazer inteira.
Tento, luto, arrisco,
mas resulto apenas
nessa tentativa
de ser o que não sou.



Samantha Abreu

foto: Lara Jade

23 comentários:

Lunna Montez'zinny disse...

Seu versar me deixou em silencio, fiz uma pausa antes de buscar o verso novamente...
Suave, tão sóbrio e real...
Boa semana a sua alma

lyS disse...

E sempre bom voltar aqui, seus versos sao infinitos, adoro.

disse...

A gente tem que pelo menos tentar, né? Se não tentarmos ser nada, não seremos mesmo. Lindo texto, Samantha.

Bjs pra ti, linda.

Clayton disse...

Entrelinhas invisíveis.

Beijos!

Otávio Augusto Martinez disse...

Bom demais, Sa. Ser como sinônimo de ser completo, de algo que alcançou determinados patamares. Portanto, insasiáveis que somos, jamais seremos, jamais seremos inteiros, somente emails, hehehe (piadinha cretina para quebrar a filosofia).

Beijos

Pan disse...

Mocinha,

Passei um tempo sem vir e já estava com saudades de lê-la, o que é sempre uma ótima experiência.

Beijos

Paullo Phirmo disse...

a parte do Todo
em seu esforço

do calabouço
para além do estorvo

ouço
pulso
puxo

estar -estado de ligação-
comigo, você,
querer perten.ser
.

___________________________________

PS: que foto espetacular. linda!

tarsis disse...

Muito bom, adorei!!

beijo

Paulo D'Auria disse...

É que somos feitos, - a matemática que nos perdoe - de milhões de metades perdidas no mundo. O teu meio ser, o meu meio ser, o meio ser do caixa do supermercado vão se fundindo e reconstruindo a cada dia.
E posso lhe dizer, o meu meio ser é muito mais completo desde que deslumbrou-se com teu inteiro talento.

Beijos

Cin disse...

Eu também sou feita de pedaços espalhados por ai que insistem em não se interarem...seja qual for o estilo, crônica, conto ou poesia vc sempre me deixa a sensação que realmente valeu a pena ter passado por aqui.
Bjos flor!

anjobaldio disse...

Belo! E essa fotografia, hein!

4rthur disse...

como diria Oswald de Andrade,

"Tupy or not tupy: that is the question"

Beijo verde!

Oliver Pickwick disse...

Um habilidoso jogo de palavras numa poesia repleta de criatividade. Enfim, tem o selo de qualidade do Falópio, não podia ser diferente.
Beijos!

Sérgio Luyz Rocha disse...

Menos que meio, fragmento, porém, inteiro, meios de se constituir...adoro todos os teus meios...escritos e ditos...

E aí?! se acabou na folia??

Bjs!!

D'angelo disse...

Por isso a frase de Shakespeare: Ser ou não ser, eis a questão!!!
Uma questão que passa de geração pra geração, de cultura pra cultura, de pessoa pra pessoa e de mim pra mim.

Gabriel disse...

Interessante.
Mas acho que preciso ler novamente.

um bejo
(o versos de falópio me surpreende cara).

Yara disse...

Eu que o diga dessa luta, luto..luto..luto para ser eu mesma, agir da forma que quero.. mas o resultado, é o mesmo do poema.. Muito bom Samantha como sempre..
Beijos..

>>Literatura Inside<<

disse...

A música do Oswaldo é uma sacudida na nossa insensibilidade, né? Eu fico arrepiada sempre q escuto.

Mto boa.

Juliana disse...

Sempre versos divinos...

Tô de volta com o Locus, Sa ;)

Saudades de seus posts... =]

Grazielle disse...

e quem é um ser completo?!
Acho que a vida é uma eterna busca pela completude...

adorei os versos

Fazia tempo que não vinha aqui

bjus

Leila Saads disse...

Lindo poema!
às vezes me sinto assim, um meio-termo eterno...

Parabéns pelo blog!

Até!

Jota disse...

Minha felicidade veio depois que aprendi que a transitoriedade é a única coisa não passageira na minha vida.

Solin ♪ disse...

meio ser é o q a gente tenta não ser.
Samntha e seus escapes...
amo.