quarta-feira, 12 de março de 2008

... and my Oscar goes to...

A cena do filme:
Meryl Streep em As Horas. A cena da cozinha, quando ela desaba em choro, tomada por uma crise de nervos. Até eu chorei de nervoso. A expressão dela, as mãos, a mistura de lágrima com riso, a impaciência. Vi essa cena mil vezes e quase não pude acreditar que não era real.

Trecho da música:
Feeling Good, de Nina Simone.
Depois da introdução: a parte que realmente ‘começa’ a música chega a me dar calafrios... é como o início de um desespero... sinto a confissão seguida do alívio. O ápice. Sim, tem várias outras músicas que gosto, até mais do que dessa... mas essa parte faz comigo o que pouquíssimas fazem. Repare aí, aos 24 segundos do vídeo:


.
A parte do livro:
Laços de Família, Clarice Lispector. Tento fugir dela, mas não há meio. Nesse livro de contos, meu preferido chama “Amor”. O trecho é esse: “Todo o seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito tempo no sentido de tornar os dias realizados e belos; com o tempo seu gosto pelo decorativo desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem. No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. O que sucedera a Ana antes de ter o lar estava fora de seu alcance: uma exaltação perturbada que tantas vezes se confundira com felicidade insuportável. Criara em troca algo, enfim, compreensível, uma vida de adulto. Assim ela o quisera e escolhera”.
.
.

5 comentários:

Alex Sens disse...

Samantha, Meryl Streep como Clarissa Vaughan em As Horas é formidável! Essa cena me fez tremer, me faz tremer, sempre! Um pouco antes, quando ela separa as gemas e as claras, aquilo me dá uma certa aflição também. Incrível essa cena! O filme todo é uma delícia monstruosa.

Muito bom o trecho da Nina! Realmente, um calafrio! Não conhecia.

Ei, vejo que temos muito em comum - o meu preferido em Laços de Família também é "Amor", leio e releio, não canso. A mulher foi e ainda é uma deusa, adoro.

Beijos!

Otávio Augusto Martinez disse...

Sem dúvidas, essa cena é espetacular. Esse foi um dos filmes mais perfeitos que eu já vi. Tudo lá funciona bem: elenco, roteiro, trilha, fotografia. Não é à toa que o centro das atenções era a obra de Virginia Woolf, a Clarice Lispector de além mar.

Um beijaço!

Paulo Bono disse...

as horas. filmaço.

Luciane Oliveira disse...

Não acredito que vc comentou da música Feeling Good da Nina. Ela simplesmente é uma das músicas da minha vida, e foi eleita a música oficial do ano de 2007. Vivi momentos loucos, mega intensos com ela ao fundo... ou na mente, tudo a ver com a letra, a sensualidade da melodia e a pugência do grito:
- "Freedom is mine, and I know how I feel...."...

Sim, nossas almas têm um diálogo intenso!!! Vai ver, tudo acontece quando estamos dormindo...rs.

ju disse...

nina é a melhor.