quinta-feira, 27 de março de 2008

Separação

Gosto ruim na boca,
o tremor do queixo, o desespero.
A separação era tão exata
quanto a porta que se fechava,
impiedosa.

Silêncio.
De um lado, costas amparadas pela madeira gelada.
Do outro, as mãos intencionavam (re)abrí-la,
uma última vez.
Talvez voltar
ou, tentar,
estancar, sarar, curar.

O amargo na língua,
na alma.
A distância maior a cada passo
e a porta deixava de ser
apenas o corte,
para transformar-se na morte
de anos em comunhão.
.
.
.
Samantha Abreu
foto de katarina sokolova

22 comentários:

Cabraforte disse...

Esse tema te intriga mesmo, queria saber se vc é casada? ou se é um sonho ? ou ainda se vc acha que isso é o fim de um ciclo que por sinal não quer deixa-lo!


gostei!!penso sobre tbm as vezes!mas muito as vezes!hehehehehe


bj.


Ps: porque eu acho simples o amor, é porque quando agetne ama agetn tem certeza e quando não agente acha. Certeza na Alma, não no coração e nem na cabeça!


bj

4rthur disse...

que triste! Separação é difícil mesmo. Já teve que terminar com alguém de quem ainda se gosta? É a pior coisa, muito mais difícil do que superar a rejeição quando terminam com você.

Mas o tempo sempre ajuda...

beijos!

D'angelo disse...

Pq que você sempre consegue me dar um nó na garganta com esses textos??
Hein senhorita??

Grande abraçooo

Alê disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alê disse...

Samantha,
você é espetácular!
Ser sua parceira no Projeto Macabéa é motivo para mais de um sorriso...

Bom final de semana!
Beijos*

Salve Jorge disse...

Separação
Sem par
Nem ração
Ou ar
Um boca que seja
Ninguém mais que se veja
O desespero até se deseja
Porque fora exata
Como uma porta fechada
Que maltrata
Impiedosa

Em mim
Só vácuo
Esquecido de lados
De intenções
Das repetições
Dos ciclos
Dos fados
Sempre o mesmo vernáculo
Fim

Eu sou
Calma
Que pro espaço
Me devore o tempo
E os portais
Não mais
Sejam cortes
E sim sejamos fortes
Para até na morte
Rever o cais
Um mar
Ah, mar
Que mesmo sem par
É o norte...

Clara Mazini disse...

Ai, essas malditas portas, quando teiam em fechar...

Tyler Bazz disse...

Lindo! Gostei demais!!!

E depois que eu vi aquele video ali debaixo, "Meu Motivo", eu ouço sua voz nos seus poemas...

;)

Jucosfer disse...

Separação seja ela de qualquer tipo afetivo causa sensações estranhas.

Fred Mitne disse...

acredito que toda separacao eh dificil, mesmo para que decide acabar... vem a tona um sentimento de fracasso imenso... a perda eh amaraga mas, A DOR LECIONA...

disse...

"a porta deixava de ser
apenas o corte,
para transformar-se na morte".

Como consegues pensar nessas coisas geniais? Maravilhoso, Samantha, pra variar.

Cássio Amaral disse...

Buda falou que todo encontro está fadado a separação. Nascemos sozinhos e morremos sozinhos, embora namoramos, casamos, juntamos.

Bom poema Samanta.

Beijos.

Cássio Amaral.

Lunna Montez'zinny disse...

Lembrou-me algo que escrevi na semana passada. As portas estão sempre a nossa frente e parecem dizer bem mais que um simples até mais.
O que acontece quando a porta se fecha ou se abre? O que há do outro lado? Sempre me indago sobre entrar ou sair de alguém ou de algum lugar. A porta parece ser sempre um caminho de idas e voltas.
Abraços meus e boa semana para sua alma...

Mariana disse...

seu blog é tão lindo! Adoro as imagens e as coisas que você escreve!
Vou passar por aqui sempre! =)
Beijos

lyS disse...

Tens o dom das palvras!
Amo!
Beijo

Tarsis Salvatore disse...

o hiperomantismo está de volta, totalmente fervente no sangue dessa guria.. ;)

bj

Grazielle disse...

Separação! Às vezes inevitável mas quase sempre dolorida...

Adorei!

:**

Alex Sens disse...

esse me pegou de verdade! a madeira gelada... meudeus! como isso é perceptível, hã? bem doloroso, belíssimo.

beijos, querida!

F. Reoli disse...

Você descreve maravilhosamente essa sensação do qual todos nós passamos um dia... e quando isso acontece não existe gênero, é aterrados para eles e para elas... pelo menos até a reconciliação...rs
Beijos

Oliver Pickwick disse...

Reinventaste a porta. Pode requerer a patente.
Beijos!

KimdaMagna disse...

Gostaria de me ENDEUSAR e saber de quem provoca em ti esses sentimentos de abandono e um mundo quase intangível de um pequeno sossego, ou sequer um momentinho de prazer existencial, infimo mas real...

Álvaro Andrade disse...

eita momento brabo!
a distância maior a cada passo,
e fica a impressão que ainda tão grudados...
mas depois você percebe: talvez nunca estiveram juntos.

Bjo.