sexta-feira, 11 de abril de 2008

Entre um segundo

Bang!
.
.
E a menina assopra as velinhas,
arranca os papéis,
as máscaras,
e passa correndo pela sala
rasgando-se
do vestido de babados.
Brigas na escola,
os castigos, depois os martírios.
O primeiro beijo
e o medo do pai.
Segredos em diários
escondidos sob o colchão.
Sede de abrir-se,
querendo o futuro,
o sexo e êxtases.
Um cotidiano alucinado,
drinks e drogas.
Saudades de casa,
da comida da mãe.
A liberdade tão negra,
as certezas tão cinzas.
Entrega-se às loucuras,
à vida e seu ilimitado desejo
de febres, de aventuras e bares,
cotovelos de apoio
e um copo cheio.
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Bang!
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(de onde veio a bala ninguém viu, mas ela só precisou de um segundo para lembrar de tudo)
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Samantha Abreu
foto de Lara Jade
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32 comentários:

RIZ_SS disse...

mais tempo seria desperdício.

Salve Jorge disse...

Um segundo
No fundo
Tá lá um corpo estendido no chão
Um corpo de vivências
Sem qualquer pulsação
Apenas o sangue cálido
Um suspiro válido
No esvanecer dessa imensidão...

D'angelo disse...

A liberdade tão negra,
as certezas tão cinzas.
Definiu-se bem aí.
Bjooooo Florzinha!!!!

Jana disse...

certezas cinzas... sei bem

quer me ensinar a sua técnica.


beijos

Alê disse...

Snif!

Entre lágrimas alguém com um sorriso travado. Mesmo perdendo-a, ele sabia que ela havia feito as escolhas certas.
Ela viveu bons meses de sua essência verdadeira, pensou.

Dani Morreale disse...

E tudo, ainda assim, continua.

Dolfo disse...

Moça,

Você é muito boa na prosa, mas eu ainda prefiro você na poesia. Tem ritmo, cadência, e por vezes a volência necessária para se bradar o poema.

Bjos.

Fabricio Fortes disse...

ô Samantha.. muito obrigado pela dedicatória.. gostei muito do poema. me identifico um pouco.. acho que fui aquela criança que passava o tempo todo sonhando em ser adulto.. e hoje tendo ao menos em idade conseguido, sinto-me como quem realiza um sonho quando me vejo com o cotovelo apoiado numa mesa de bar..
rsrsrs
valeu mesmo
beijo pra ti!

Sunflower disse...

è o segundo em que a vida toda passa diante dos olhos. Que bom que nessa vida de bang bang existem segundos que a gente morre pra viver mais um pouquinho.

Grazielle disse...

Nossa... Forte... Mas nesse mundo de liberdades negras e certezas cinzas tudo pode acontecer

Fred Mitne disse...

1 segundo eh muito pouco tempo para lembrar das felicidades da vida... que tal 10 segundos.. como um orgasmo... hehehehehehe...

Julienni Campos disse...

Sah, as vezes me sinto exatamente assim, Bang. Eu tbm acho que passei toda a minha infancia imaginando estar em outro lugar. Esse poema é um dos que mais mexeram comigo. Tem algo de muito dolorido nele...ou em mim.
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Beijo.
Passa lá no Além da embalagem.

disse...

Que lindo! Ai, toda vez que venho aqui digo a mesma coisa, mas quem manda tu escreveres coisas tão bonitas? O preço disso são pessoas repetitivas. :P Bjs, linda.

v.p disse...

Bang... tiro de americano. Pá... tiro na beira da favela... Bam, tiro de cinema... ah, os tiros e a morte.E as vidas? Vivemos de escolhas, desejos, dúvidas, tão poucas certezas e uma dolorida intuição, quase sempre equivocada...As vezes uma marca no chão. Menos mal. Quase sempre uma marca na alma...Parabéns pelo texto. Muito sensível.

Sérgio Luyz disse...

...é bem curisosa a maneira tão distinta como as pessoas se expressam sobre um dado objeto..às vezes, tudo parece tão óbvio, às vezes, tão oculto...como a liberdade que aprisiona...
...essa foi a minha leitura deste post tão "misteriosamente óbvio" (coisas de escritora, não?)...
Parabéns pelo tom agudo e...
Bjs e +++ bjs no dia do beijo!!!

Cin disse...

Vc consegue encher de beleza mesmo aquilo que era pra ser trágico.

Bjos flor!

Cabraforte disse...

nossa!






+ nada!



bj

Paulo Bono disse...

lembrou da comida da mãe, filadaputa?
docaralho, escritora samantha.
gostei pra caramba. mesmo.

abração

Izabel Xarru disse...

trouxe um filme que conta a história de uma adolescente com sua mãe....não lembro o nome, mas na hora que a mãe acha o diário da menina, a vida das duas muda muito. a menina se dava muito com a avó, que morre...se lembrar do nome, te falo.

Izabel Xarru disse...

gostei especialmente deste texo seu.e gostei dos parênteses.muito legal, sá. o fabrício deve ter gostado demais, tbém.

ronaldo braga disse...

o passado é nossa pele e nada escapa. toda nossa história incrusta-se em nosso corpo. um poema educativo e mais do que isso sensual, de uma sensualidade às avessas.
um poema vital.
belo e apressado como a morte.

Dione disse...

Escreves muito bem.

André Gonçalves disse...

um segundo é uma vida inteira.

Bianca Feijó disse...

Muito bom Sa!

Adoro as fotos da Lara Jade, até criei uma comunidade para ela...rsrs.

Parece que o texto foi feito para imagem, ou vice versa;ou seja, tá tudo muito bom!

B.E.I.J.O.S

Fabrício Brandão disse...

Quanto vale um átimo de nossa existência?
Respostas calam... ocupadas que estão em abraçar os mistérios tão nossos.

Beijos, querida!

Tyler Bazz disse...

É a tal vida que passa pelos olhos... sempre achei que fosse mais rápido.

:P

Luciana Lyra disse...

E diante desse mundo de bang bang a gente ainda consegue se deliciar diande de uma boa poesia...ainda bem rsrs...descobri seu blog agora...você escreve muito bem, parabéns!!

Alex Sens disse...

Tão forte quanto o som e o tempo desmanchado dessa bala! Toda a vida nesse momento, toda ela, corrida e escorrida. Delícia, Samantha. Delícia!

Beijão!

lyS disse...

Um segundo so basta.
Muito intenso.
Adorei.
Bjos

Lizzie disse...

Samantha;
Teu texto doeu imensamente em mim. Parabéns pela fluidez e emoção.


Grande beijo
www.lizziepohlmann.com

Oliver Pickwick disse...

Cristiane F segundo Samantha Abreu. Poesia-crônica tão fria como o aço do projétil de de um AR-15.
Um beijo!

Fernando disse...

Não, na boa, nem vou bater palmas de novo porque vai ficar parecendo mentira ou soar falso. Mas o faria novamente de pé! Samantha, cara, o que é isso? Que texto bom! Outra puta sacada!

Ah não, assim fica até sem graça ter um blog...