domingo, 6 de abril de 2008

O fim em quase fadiga


.....Ele a olhava tão de perto e a respiração tão profunda o fazia sentir o gosto do hálito nervoso Não quero ir ele disse ainda te amo ele disse Parada ela pensava em abraçá-lo enquanto a boca o sentia tão seu tão entregue e tocável Não é o momento lhe escapou Imatura é a sua atitude mil ilusões construídas por suas mãos e também derrubadas por elas foram os castelos dessa areia tão suja O suor explodindo os poros e choro não posso mais enxugar essa poça e seu corpo caiu no buraco onde estou me acertando na sensatez O coração na boca as mãos suadas e o medo na garganta Seria a última vez de tantas idas e vindas tão lindas histórias de amor O tempo passando e a lei da atração esmorecendo frente ao frio do vento e o calor só por dentro de coisas fantásticas da nossa vida amarrada por laços tão frágeis Não me deixe sozinha você me confunde quando não quero e me desespero Não sei se saio se caio se maio ou dezembro não lembro da última vez que era a última vez e se repete sempre que você se aproxima feito ladrão furacão solidão na madrugada inesperada surpresa de domingo Sua vontade é maior do que o mundo mas de repente quando se fortalece não está aqui de novo e novamente fico sem direção à mercê da sua vontade sua falta de coragem caráter e maldade Amor espeto me fura mortal e tão profundo que dói infinito eterno tormento quando você fica eterno lamento se você vai Ele saiu melancólico enquanto ela ainda derramava mágoas e a boca queimava de saudade vontade e vingança.
.....Amores de pressa e fadiga acabam sempre por morte morrida.
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Samantha Abreu
foto de Lara Jade
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33 comentários:

Bianca Feijó disse...

É, eles melancolia, elas derramam mágoas...

Triste ler a "lei da atração esmorecendo", mas o texto é tão lindo que tudo ficou P.E.R.F.E.I.T.O, adorei mesmo!

Beijão Sa!

Calebe disse...

Atropelar sentidos - eis essa coisa louca que invade amantes. Não é?

Fábio disse...

Você toca sempre fundo nas nossas emoções e essa forma assim, sem ponto nem vírgula ajuda a deixar ainda mais sem fôlego as sensações... beijos

Sunflower disse...

os amores planejados acabam morrendo de morte matada.

O bom são esses que chegam sem avisar e a gente morre de amores, mas morre de causas naturais.

Beijos, Samantha, menina que carrega iguarias estampadas na alma e no corpo.

Sérgio Luyz Rocha disse...

100 metros rasos = o velocista dispara e 10 segundos depois sua aventura acabou...cada um de nós tem o tempo que procura...
...cê entende, não entende?
(prá variar...lindo!!!)

Fique bem :):):)
Bjs!!

Fernando disse...

Putz, Samanta, excelente sacada pra dar dinamismo ou a velocidade que quis ilustrar na história! Parabéns! Muito bom o recurso de não usar pontos. Achei que você tava ficando doida até ler o desfecho.

Desfecho aliás que deve se comentar a beleza sutil da ambigüidade de "Amores de pressa...".

Muito bom! Gostei daqui! Vou lincar também, al´pem do mulheres descontroladas, ok.

Beijocas!

marinacruz; disse...

Que delicia sentir essa ausência de fôlego {...}
Texto arrebatador!
Parabens, Samantha.

Grazielle disse...

Lindo, lindo, lindo...
Uma prosa poética encantadora!

Fabricio Fortes disse...

pô samantha..
é essa escrita que tira o fôlego.
bem bom!

Dolfo disse...

Belíssima prosa poética senhorita. Muito boa para recitar e degustar as palavras letra por letra. Bjos.

cássio amaral disse...

Sam,

Lembrei de uma máxima do Nietzsche:
"NA GUERRA OU NO AMOR A MULHER É SEMPRE MAIS BÁRBARA".

Bom texto, articulado e bem escrito, o fim é legal.

Tô na correria. Enrolado com provas.

Beijos.
Eflúvios positivos.

4rthur disse...

ufa!

4rthur disse...

uma das minhas primeiras postagens foi uma tentativa de escrever um conto de um ponto só, inspirado no Gabriel Barcía Márquez, que tem dois contos no livro "A incrível e triste história de Cândida Erêndira e sua avó desalmada" formados cada um por uma só frase. Se tiver paciência, depois dá uma olhada lá na minha - tosca - tentativa de fazer isso.

beijo!!!

4rthur disse...

"Barcía" foi foda... eheheheheh

D'angelo disse...

Fenomenal relato de um passado não tão remoto.
:)

Georgia disse...

A emocao falou forte.

Olha, vim te convidar para fazer parte da blogagem coletiva contra o analfabetismo no Brasil.
Passa lá no meu blog lê o post de convocacao do dia 25 de marco. É um assunto que eu acho que temos que nos enganjar.

Boa semana

Jana disse...

E a gente pontua a vida como bem nos convem...

Beijos

Clau[dia] disse...

O amor quase sempre requer calma, momento. Também acredito no conceito de amores de pressa e fadiga. Acabam por se autodesmanchar, em algum momento..
^^

Salve Jorge disse...

Era aquele gosto que lhe atiçava os nervos Nunca queria ir mas era sempre instigado a isso Instigado por ela é claro Pelo vento em suas velas que ela sempre insistia em soprar fazendo biquinho com os lábios do vermelho mais atraente que ele já provara Via que ela queria abraçá-lo sem querer Resistia por vaidade pensou Vaidade como castelos de areia que o próprio vento dela erodia Era como da primeira vez Não era a primeira vez Sempre era Como sempre era confuso como uma manhã de agosto Sempre aquele gosto Tudo como estava posto jazia como o aposto de opostos E começou o tiroteio como sempre começava e ele era o alvo de todas as balas perdidas Preferiu sair irromper se perder de tão perdido que já estava engolindo a própria saudade que vazava pelo buraco de cada uma das balas
Saiu sentindo o peso de uma morte morrida e o sangue que brotava em suas asas uma vez mais

Alê disse...

Eu quero terminar com morte bem, mas bem, bem mesmo, vivida.

"O coração na boca as mãos suadas e o medo na garganta"

Beijos*

Caito disse...

Amores de pressa acabam de pressa. bem, como dito logo abaixo, a felicidade fácil e pura é muito chata.

Beijo!

Jucosfer disse...

amores desse jeito aí não vingam não...

Nao tem Sentido disse...

Ufa...
Mas olha, profundo e muito real

Bjs

Oliver Pickwick disse...

A princesa do drama urbano mostra com encanto mais uma história de desencanto
Um beijo

P S Estranho esse negócio de escrever sem pontuação Mas cpmo economiza tempo hein

Grazzi em ContRo disse...

O amor morrido é eterno..

Ana disse...

O fluxo à La Saramago deu uma fluidez e a rapidez necessária para explicitar o momento.

Desfecho excelente!

Beijos!

Cin disse...

Eu odeio despedida. Seja lá como for que ela se der.
Linda a forma que vc conduziu esse texto.
Bjinhos!

disse...

É pimentinha, você se superou. Ficou demais esse texto. Muito bom mesmo!

Fabrício Brandão disse...

Olá, Samantha!

Olha eu de novo e descobrindo suas linhas. O texto chama atenção pela conexão das palavras, por uma sensação torrencial de pensamentos e signos.

Saudações culturais!

PS: Quero entrar em contato contigo por e-mail. Segue o meu: diversosafins@gmail.com

Ilton Santana disse...

lindo, lindo, lindo... perfeito, angustiante, sufocante, trágico... mas tão simplesmente escrito, tão suavemente descrito que ficou assim... perfeito.
Essa vida é tão estranha.

Parabéns,

Clayton disse...

Samantha, muito bom, com uma outra levada.
Amores de pressa, sem pontuação, urgentes. Amor resfolegante.

Fred Mitne disse...

chega de melancolia guria....

Camilinha disse...

Que isso, mulher!? De onde vc surgiu? Que palavras são estas que vc carrega aí dentro que vêm e faz bossa com meus sentimentos? Parabéns! Adorei esse texto teu.

beijos daqui...