quarta-feira, 4 de junho de 2008

Minha Calamidade


Minha calamidade
é o pagamento
dos meus avessos,
dos inversos,
retrocessos.

Cala minha idade.
Minha raiz é daninha e
só pode ser vista
sob o sal de lágrimas,
escorridas.

Cala-te boca,
pois a vontade é beijar-te
as feridas.
Libertar teus gritos
abafados.

As palavras não me salvam mais,
e meu pesar precisa
dos tais calafrios
febris.



Samantha Abreu
foto de Marta Glinska

25 comentários:

Fred Mitne disse...

e vem a oscilação... entre o amor e a dor... a felicidade está entre esses dois elementos... mas precisa de sustentação e balanço... e com o balanço chegamos ao extase... aonde nos olhamos e dissemos:

"VALEU A PENA!!!"

Thiago Quintella disse...

Palavras mais destroem do que salvam, quando não há comedimento em usá-las

Izabel Xarru disse...

hummmmm.....e a pele de quem tem a palavra no silêncio da palavra, aquela que mergulha olhos e nuca, pouso alegre, chega e incendeia o que era doce e se acabou.na avenida seguinte, o assombro: eu de volta ao despenhadeiro do meu corpo feliz no seu, a melhor palavra do que não existe.
#
seu texto foi surpresa pra mim.te encontrei mais quente na pedra dele.
bjo.

anjobaldio disse...

Teus poemas cada vez mais comoventes. Bjs.

Maria disse...

Já vi vc lá no Trama Bacana e em outros que nem me lembro agora...nos links percorri o Intimite e fui no Mulheres...adoro o que vc escreve...esses inversos, esses avessos...tudo por aqui me sugere muitas imagens e sensações.

Alex Sens disse...

De verdade, estava com saudade da tuas letras intensas, dessa coisa febril da qual fala nos últimos versos. Gostei muito do novo layout, força que borbulha!

Voltei com novo blog :)
Beijos!

enten katsudatsu disse...

Do caralho!!!!

Muito bom!

Beijo.

Fabrício Brandão disse...

O desejo de se enxergar além do torpor tenta beber nas fontes da cura!

Intensas Idades por aqui, querida!

Beijos

Ricardo Wagner disse...

Sempre soube, Sa, que iria "se" entender um bocado¹. Só o pigmento vermelho (cor elementar, jurássica, imanente, universal) em consonância com a inquietude traduzida em texto dá o que dimensionar no preto & branco - e tais pares têm tino, história e excelência pra remeter à dor!

Beijo no rim (o que não roubei ainda).

RW.

___________________
1 - de outras novelas.

F. Reoli disse...

suas palavras sempre acabam por ME salvar... beijos, e beijos e beijos

Ana disse...

Calafrios intensos por aqui...

Você, como sempre, febril!

Beijos!

Salve Jorge disse...

Calamidade
Claridade
Invade
Causa alarde
Arde
Depois passa..

Cala sua idade
Sua raiz
Desgraça
Traça
Mas desembaraça..

Calada a boca
Resta o peito
Não tem jeito
É beijo
É desejo
Mas desabafa..

As palavras que lavras
São como larvas
Que desbravam a carcaça pútrida de um cachorro morto
Seguindo o calor...

Borboletas Embriagadas disse...

Pimentinha, Pimentinha...

sempre que entro em seu espaço, pergunto a mim mesma o porquê da demora de fazê-lo. Você é maravilhosa, maravilhosa... sua poesia mexe e revolta (como acontece com as marés), dá vontade de sair gritando, correndo, de fazer o que der na telha - de aprender a escrever - dá vontade de beijar uma boa boca, de um ótimo dono qualquer, dá vontade de chutar o balde, enfim, dá vontades.

Beijo!

Flávia

Adriano Caroso disse...

Precioso!

Tâmara disse...

Belas palavras!!!

Bjos!!

Rogério Saraiva disse...

Ui! Que calafrio!

KimdaMagna disse...

Aberta a ferida, lá colocaremos o eco do slêncio...
designou a cartomante, imcumbida de sonhar os "ruídos".

Xaxuaxo na Kianda

Jucosfer disse...

Quando as palavras não salvam mais,
"Enjoy the silence"

Braga e Poesia disse...

belo poema e antes denota força, e uma certeza que aniquila. é pois um trabalho que além de belo é como um copo do melhor vinho.

Gabriel disse...

Poxa, que beleza! Às vezes eu esqueço que aqui é muito bom.
Aliás, colorir nossa rotina com alguma poesia é sempre, digamos, muito gostoso!
Esses dias na faculdade colocaram varaizinhos, com poesias presas à prendedores de roupas, escrito "pegue a sua poesia" - muito legal!

um bejo Sabrina
felicidades.

Claudia disse...

Lindo

Jana disse...

Sabe quando vc se vê em algum escrito? Pois é.... Bem assim

beijo

Anônimo disse...

Lindo, como tantos outros seus!
Beijos, apareça por lá!

Polly disse...

Lindo, como tantos outros seus!
Beijos, apareça por lá!

Alex Sens disse...

Volto e releio - uma delícia maior a cada lida. Gosto da idéia de "minha raiz é daninha" ;)

Outro beijo.