domingo, 15 de junho de 2008

No Final, a Droga

Se, no final, a porra é sujeira,
de que valeu o prazer?
Todo fim, cara no espelho,
e o diálogo com si mesma:
“-Estúpida!”

Porque eu me faço demente
e aceito o sonho
como único
universo a que pertenço.
Mas não sei andar em nuvens.

Se, no final, a euforia é o vício,
de que vale a droga?
Todo fim, corpo em pedaços,
e na reconstrução para o amor:
“-Seu cabaço!”


Samantha Abreu
foto de Calvato

35 comentários:

F. Reoli disse...

Louco com louco sempre acaba por se entender... :)
Gosto cada vez mais do jeito visceral que escreve, Sam...

* Postei uma mostra virtual fotográfica que fiz sobre o transporte coletivo de São Paulo. Gostaria muito, se você puder, que passasse por lá, escolhesse uma foto e escrevesse umas linhas sobre a mesma pra eu poder postar no blog que criei para essa mostra, onde convido pessoas que gosto de ler, para escrever em cima de minhas fotos... Caso escreva, é só deixar o texto citando a foto em que foi inspirado na caixa de comentários... Beijões

KimdaMagna disse...

este "cabaço" simboliza um Himen? Um princípio fim de algo?
Só numa de curiosidade de que droga falamos aqui?
Euforia ser o vício, essa é forte.
É a droga se manifesta multifacetada e vem nas asas dum anjo.

Xaxuaxo

FINA FLOR disse...

eu gosto de pertencer ao universo dos sonhos, rsrs*

beijos, querida e boa semana

MM.

Paulo Bono disse...

qual o problema na sujeira, no vício?

Cássio Amaral disse...

Du caralho!!!! Poemaço. Desconstrução certeira na boca da mosca.

Beijo amiga e muita saúde.

Linda Graal disse...

hummm! cássio tb foi certeiro agora...EXATAMENTE! duca...rss

beijo

Ana disse...

Quase tudo que é bom faz sujeira e vicia...
Delícia seu texto!
Beijo!

Fred Mitne disse...

as grandes transformações sempre são o futuro dessa sujerada toda...
reforçando a pergunta do paulo e acrescentando mais:

qual o problema da sujeira dessa porra toda???... se quando se apresenta em frente aos olhares femininos, fatalmente é espalhada sobre a pele como se fossem aproveitar a temperatuda da mesma... alimentando um vicio!


bjão!

Izabel Xarru disse...

me deixou vendo um cabaço no espelho, na altura do corpo, um pouco desconfiado, encapuzando olhos.
buenísimo, cara mía!

Borboletas Embriagadas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Borboletas Embriagadas disse...

Puts, Samantha,

primeiro que eu não sei andar no chão, não sei como tem quem não saiba andar nas nuvens!!!Rs... Segundo, se no final vem sempre o sofrer(que saco!), ficamos com o começo? Terceiro, me diz como pode sair tudo isso de dentro da cabeça de uma moça tão meiga?Rs... Meu, sua poesia é boa demais!!!

*

Adorei e estou refletindo... Quer saber? Fico com o começo!

:)

Grazzi em ContRo disse...

"Virgem again" é foda mesmo..

Adorei, beijos!

Sunflower disse...

ê, é do caos, da sujeira que nasce a vida. Então, vale muita a pena.

Reflexão a parte, qto mais velha se fica, mais dificil se torna de ser desvirginada, fazer algo pela primeira vez.

Márcia(clarinha) disse...

Mas a sujeira é o finalmente do prazer que impregna e não sai nem com água de lavanda...

dias lindos
beijos

Fabrício Brandão disse...

A assim chamada "sujeira" é o resultado do jogo de embates. Resta a teimosa capacidade de reconstruirmos os cabaços a cada violação "desejada".

Beijos, querida!

Claudia disse...

espumante.

Fabricio Fortes disse...

belo poema, samantha! denso e belo..

Marcelo Mendonça disse...

Viciei

Diogo Lyra disse...

É bom ficar tanto tempo fora e, na volta, perceber que o cabaço ainda está presente na mais alta intimidade...

Camilinha disse...

Fantástico!
"mas não sei andar em nuvens"

... tentando livrar-se de um vício com outro... e corpo, ah, corpo... fica à deriva.

beijos daqui...

lyS disse...

Fazia tempo que nao vinha te visitar, sempre que venho encontro palavras bem postas.


www.dans-la-boite.blogspot.com
www.fruit-d-amour.blogspot.com

osrevni disse...

É questão de inverter as prioridades. Fazer do vício euforia, e não o contrário, e da sujeira porra.

Sérgio Luyz Rocha disse...

"..raspas e restos me interessam..."...pois é, que grande merda perceber que, de certo modo, somos todos adestrados...falaram por aí em desconstrução, embates, em "finalmente"...tudo o que eu diria também, não fosse o fato de saber que é dor (aquela mesma que o poeta dizia ser fingimento)...

Parabéns, Samantha, belo poema!!
Bjs!!

4rthur disse...

foda, hein? Cabaço é uma palavra que dá gosto de falar nos mais plenos pulmões... hihihi!

Beijão.

Wallace Fauth disse...

O paradoxo e a mandala!
Lindo!

instantes e momentos disse...

muito bom teu blog. Autentico. É isso aí. Gostei, muito

Lucianne Menoli disse...

Caramba, q meeega poema.
Parabéns, amiga, vc é maravilhosa!

Klatuu o embuçado disse...

Tudo é sujeira; no sexo, começa e termina com nossa biologia - e depois tem sujeira em tudo.

Vivemos no Inferno... mas, sim, existe a beleza.

Ou, se não existe... com ela sonhamos e iludimos.

Tarsis disse...

As vezes amar um corpo, um nome ou alguém e sonhar é praticamente a mesma coisa, ou se confundem, se perdem.

Abs!

Odemir Tex Júnior disse...

Inauguro-me!

O. Tex Jr...

Do coletivo Cardamomo. Novo nesta tarefa de (des)impressão virtual. O tempo agora me rouba, a isso li este poema pela lógica da ordem. Denso e gritante, nem onírico nem nefebalita. Enterrado como um mastro. Imagem mais desconcertante: "Se, no final, a euforia é o vício, de que vale a droga?" Amanhã mudo de idéia.
Bjo (sic)no coração.

Ana disse...

FAN-TÁS-TI-CO poema, Sá... De cair o queixo. O mais legal é q dá pra ser lido da última estrofe para a primeira tb. Ou então na ordem que quiser...
Bjim
Ana.
www.mineirasuai.blogspot.com

anjobaldio disse...

Mais um belo poema. Parabéns.

Caito disse...

Porra Samantha, faz um tempão que não passo aqui, e hoje, fuçando em blogs desconhecidos, li o link do Haute nos links de alguém e acabei voltando, por uma bondade do acaso comigo. Que poema legal meu, gostei demais. Tem esse arrependimento meio barroco, mas que, pelo menos pra mim, sem a moral religiosa, e sim com o julgamento da mente racional sobre os prazeres.
"Porque me faço demente". Achei fantástico! Gostei muito da parte "mas não sei andar em nuvens", porque parece denunciar um corrompimento do próprio momento de prazer, não só um arrependimento posterior, o que torna, pro lado racional, mais irracional ainda sucumbir a tais prazeres. Bem, já posso estar viajando, mas é que esse poema foi muito bom pra mim, sério mesmo, pegou de jeito! Só posso agradecer.

Beijo!

Ian Ferreira disse...

Bom dia Samantha, vi sua pagina no blog de Nelson e gostei muito desse poema,simplesmente fantástico.Sou um músico a procura de novas palavras para tentar transformar em novas músicas,pois acredito que todos nós andamos cansado das limitações musicais existentes no cenario atual.Queria dizer que suas palavras ,principalmente nesse poema soa uma canção de excelente qualidade, e se possivel, vc me autorizaria eu tentar musicar esse belissimo poema seu?
Bom querida Samantha de ante mão muito obrigado por essas maravilhosas palavras,estamos precisando !!!!!!
Aguardo resposta
IAN FERREIRA

Peterson disse...

Gosto muito, muito deste.