quarta-feira, 11 de junho de 2008

Palavras ao Vento


Promessas são destruídas pelo tempo. Com suas juras aconteceu assim, e elas ainda eram ditas quando um vendaval passou e as carregou para longe.
Tempo e distância. Não há melhor remédio, não há mais poderoso feitiço.

Hoje, escrevo tudo o que sinto e tudo o que penso, sem dizê-los. E também não faço promessas. Quando falo, permaneço atenta às pequenas brisas que teimam em me perseguir. Se me dizem o que preciso ouvir, sinto o corpo tomado por calafrios: o vento me arrasta através de sentimentos frios e corações ocos.

Tornei-me viajante carregada por pequenos ventos e grandes vendavais. As palavras não mais me alcançam. Por isso, meu bem, apenas desta vez, prefiro que você fique em silêncio.
Aprenda a se fazer satisfeito com o que pode sentir.


Samantha Abreu
foto de Lara Jade

21 comentários:

Dolfo disse...

me peguei cantando Cássia Eller após teu texto. :)

bjos

Dolfo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Polly disse...

"Aprenda a se fazer satisfeito com o que pode sentir".

Esta sua frase é suficientemente bela pra não ter que dizer mais nada...ela se encarrega de dizer tudo.

Adorei!
Beijos

KimdaMagna disse...

Tou sempre atento aos pequenos ventos e grandes vendavais...
Tou no meio do Atlântico, mas ainda não te vi circulando por aqui...
Minha incapacidade de ver, ou são mares não visitados por você?

Xaxuaxo na Kianda

D'angelo disse...

Nossaaaaa....profundo isso hein!!!!Amei.

Fred Mitne disse...

lembrei daquela novela:

mulher espetaculoooooosssssaaaaa...
vou te jogar no vento!


bjos!

instantes e momentos disse...

Corri teus blogs. Muito bom ler voce.
" me diz onde compro teus livros" pra vc autografar.

Parabens
Maurizio

Jana disse...

Eu ando com tantos problemas aqui do lado real, que sentir ficou cada vez mais dolorido

beijo

Paulo Bono disse...

se bem que tem palavras que parecem um furacão.

abraço, Samantha

Camilinha disse...

"Que esta minha paz e este meu amado silêncio

Não iludam a ninguém

Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta

Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios

Acho-me relativamente feliz

Porque nada de exterior me acontece...

Mas, em mim, na minha alma,

Pressinto que vou ter um terremoto!"

M. Quintana

Salve Jorge disse...

Ao vento
Ah, o vento
Verto
Lento
Cada momento
Nessa brisa
Sei que não precisa
Mas você sempre tão indecisa
Ignorando que tento
A tanto tempo
Barrar o vento
Mas você sopra
Alopra
Junta os lábios
E ventila
Meus cata-ventos
Minhas birutas
E ainda diz que me escuta
Alheia as palavras
Semeando vento
Sem querer colher tempestades...

Salve Jorge disse...

Ao vento
Ah, o vento
Verto
Lento
Cada momento
Nessa brisa
Sei que não precisa
Mas você sempre tão indecisa
Ignorando que tento
A tanto tempo
Barrar o vento
Mas você sopra
Alopra
Junta os lábios
E ventila
Meus cata-ventos
Minhas birutas
E ainda diz que me escuta
Alheia as palavras
Semeando vento
Sem querer colher tempestades...

Salve Jorge disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thiago Quintella disse...

Palavra, sentimento e ação... que tríade!!! O vento às vezes não consegue levar as palavras, pois elas ficam socavadas na mente!

Grazielle disse...

Uau... Samantha, sempre escrevendo sentimentos como mais ninguém!

Adorei o texto... me identifico com ele hj!

Claudia disse...

"Aprenda a se fazer satisfeito com o que pode sentir."
Esse trecho ficou fixo em minha mente. Não se pode confundir o que poderia ser com o que é.
Beijos.

Fabricio Fortes disse...

ufa!
essa foi pesada.. mas um belo texto. palavras fortes e um significado que faz ficar pensando...

Rackel disse...

Hummmmmm... adorei isso!

*¢£@üD!NhA''' disse...

Tua palavra consente com têmua ferida meu silêncio.

Quanta beleza....

Beijo, Cláudia.

F. Reoli disse...

Suas palavras são inquietantes... ecoam mesmo no mais profundo dos silêncios... te beijo

Izabel Xarru disse...

eu devia ficar calada.....devia.....acredito q não se fiar em palavras é uma coisa que funciona como um bicho geográfico. aqueles que vão fazendo caminhos nos nossos pés e incomodam. e daí tem que medicar, tem que colocar gelo, tem que tentar parar o caminho que teima. e quando deixa de teimar, ainda contém um animal morto entre os dedos, e os pés ainda o sentem endurecidos enquanto estão indo.
e lembrei da Bíblia.juro.