quinta-feira, 26 de junho de 2008

Sessão Matinê


Cinema era bom às terças, à tarde, quando ia sozinha e podia comer 2 potes de pipoca. Pedia tamanho médio. Se pedisse pequeno, teria que comprar três e evidenciaria não só sua solteirice tardia, mas também seu desespero por ocupar a boca com algo que não viesse de outra boca.
Já tinha passado da idade para sessões da tarde, mas o horário propiciava sua conveniente solidão e ninguém conhecido a veria. Podia sentar nas poltronas do meio, bem em frente à enorme tela.
Esquecia por algumas horas de quem era e se imaginava na pele de tantas atrizes e personagens que, inevitavelmente, ao final, saía pela porta vestida sob a sutileza de outros papéis.
Assim, qualquer dor era remediável. O cinema era, mesmo, bom durante as matinês de terça, no mesmo horário das consultas que tentavam lhe fazer descobrir-se...


Samantha Abreu
foto de adrian batista
.

31 comentários:

Sérgio Luyz Rocha disse...

...cansei de sair do cinema me sentindo o todo poderoso e com os lábios ardendo do sal da pipoca (nem tão poderoso assim...)
Cinema-esconderijo - bela sacada...

Bjs!!

Camilinha disse...

Eu adoro ir ao cinema sozinha... e seu texto é fantástico - é exatamente assim que me sentia (e sinto!) adquirindo a leveza estática de algumas personagens... e por instantes ser uma pessoa muito além de mim.


beijos daqui...

*¢£@üD!NhA''' disse...

Perfeitamente possível, sensível.

;************* minha cara!

Borboletas Embriagadas disse...

Samantha,


que delícia de texto! Daqueles que não se imagina o final. Tudo tão perfeito, justamente pelo fato dela se esconder de si mesma (não na cama chorando, mas no cinema!!!). Deixando de ir ao seu próprio encontro - que na maioria das vezes não é tão (ou nada) prazeroso - ela vai ao encontro do lúdico... Perfeito!

Amo suas histórias, Amélie Polain !

;)

enten katsudatsu disse...

Entrar na tela e mergulhar no personagem. Seus textos estão falando, gritando...

Beijo.

Izabel Xarru disse...

tenho um amigo que escolhi pra ser meu crítico quando escrevo. ele fala umas coisas que não vi.então andei escrevendo umas coisas que não eram poesia e ele numa delas me disse: ah. mas isso é uma parte, não é tudo. lendo seu texto tive a sensação de que é uma parte que diz tudo que tem pra dizer. mas parece que falta um dente na boca que mostra o que não quer.não é o óbvio que mostra. e eu gostei.mas que falta um dente, lá isso é.

Calebe disse...

E pena que esse cinema com pipoca e filmes bons anda tão escasso. Pena mesmo.

(Gostei da nova foto sua; muito de bom gosto)

Beijo, beijo, beijo!!

Calebe

anjobaldio disse...

Muito bom, como sempre. Adoro.

Juliana disse...

um cantinho escuro, à frente da sétime arte... é difícil pensar em esconderijo melhor!
essa azeda solidão combina ligeiramente com o salgado da pipoca...rs

a imagem do texto também é fantástica, adorei!
beijo

Jucosfer disse...

Cinema por si só!

Jucosfer disse...

Cinema por ti só!

Fabrício Brandão disse...

Nada como a experiência inigualável de percorrer espaços próprios e abstratos num cinema.

Adoro essa sensação e pude provar um pouco disso aqui na leitura.

Beijos!

Fabricio Fortes disse...

esse pequeno texto irradia as cores desbotadas das matinês..
gostei bastante.

Miguel Barroso disse...

Um amor senta-se e permanece estoicamente activo na magnitude uterina do seu esplendor.



Abraços do EU, SER IMPERFEITO e d´A SEIVA

Thiago Quintella disse...

Substituições de meuroses, hehehe eu curto ir ao cinema sozinho tb

Vlademir disse...

A solidão nunca mais foi a mesma depois que inventaram o cinema

Sunflower disse...

Tá vendo como até na audiência vc é protagonista?

Beijo, linda.

Solin disse...

Samantha Abreu, sobhe que eu morava com vc em um apartamento em Lisboa.

: )

Paulo Bono disse...

o comentário da Sunflower foi bala.
e quem me acompanhava na matinê era um copo de meio litro de milk-shake.

abração

Polêmica disse...

o teu blog é um dos mais lindos, legais e interessantes que já vi...parabéns!!!

F. Reoli disse...

dependendo do "filme", é bom até às segundas... né? rs
te beijo

Jana disse...

ai, to precisando desses esconderijos...

beijos

solin disse...

rs
eu não achei q vc fosse ler o coment.
Respondendo, eu sonhei que vc estava em Lisboa, em um apartamento, eu ia morar ctgo.

Era um lugar de sonho mesmo. no seu 4o tinha uma janela com cortinas Salmon. Eu trabalhava em sua casa, como doméstica e tinha que deixar tudo preparado p qdo vc chegar. Na porta da frente, havia um escada enorme e estreita, esverdeada.

Liga p meus sonhos não. São loucos mesmo.

:*

Aline Aimée disse...

ai, seus textos são tão pós-modernos e argutos e de bom gosto e originais. vc cintila, moça! a-do-ro!

Sérgio Luyz Rocha disse...

...oi Samantha!!!...esse negócio de blog é mesmo uma maravilha...além do pessoal super talentoso que a gente vai encontrando, tem os comentários e a possibilidade de entrar em contato com mais gente e com situações, às vezes, curiosas...tem até comentário padronizado...mas a maioria é bem legal e muito inteligente...
...tem novidade lá na "Trama"...
Beijos, garota!!!

Clóvis disse...

Que delícia voltar aqui e ler estas suas sutilezas tão instigantes e tão suas.
Tá cada vez melhor, guria!

Voltei a escrever por lá.
Meu beijo.

Ninarangel disse...

Eu desisto de escrever pq vc sempre diz tudo...rsrrsr

Clayton Melo disse...

Divã cinematográfico.

beijos!

Marcelo Mendonça disse...

zorra já eu sou chato, pipoca me tira do sério no cinema. Agora, ocupar-se com uns beijos, pxxxx

FERNANDO disse...

E tem remédio tarja preta melhor que cinema e pipoca? É um dos melhores anti-depressivos que conheço.

Rackel disse...

Nunca fui ao cinema sozinha, mas posso afirmar q existem outras formas de fingir ser quem não se é muito eficazes tb... no proprio divã do analista vc pode ser várias e ainda tem publico (?!) pra isso...
rs

(claro q custa bm mais q uma sessão de cinema, né?!)

bj