segunda-feira, 13 de outubro de 2008

de animais e mágoas

Li uma vez (e não foi na Veja, graças a Deus) que a maioria dos animais quando são machucados por pessoas nas quais confiam – os donos, por exemplo - não atacam, mesmo que tenham força para tal.
Conosco não poderia ser diferente, né, seres humanos?

Pegue como exemplo a pessoa mais forte, corajosa e auto-suficiente que você conhece, e lembre dela quando estava, por uma vez que seja, magoada. Veja bem, não digo triste. Digo magoada, decepcionada por alguém que ama muito.
Conseguiu, naquela hora, ver algum tipo de fortaleza?

Pois é. Tem gente que, como diria Sylvia Plath, ‘achava que não poderia ser magoada’. Mas, quando acontece, a dor é tamanha que se torna inevitável recolher-se e lamber as próprias feridas até que elas sequem, curem, sumam. Eu já disse uma vez que ‘tempo e distância: não há melhor remédio, nem mais poderoso feitiço’.
Por mais determinada que seja, o máximo que se ouve de uma pessoa assim, nesses casos, é: “por favor, me deixe em paz.”
.
.
.
Olha, eu tô lá hoje: http://versosdefalopio.blogspot.com/
e aqui, fica ela:
.
"Achava que não podia ser magoada;
acha que com certeza era
imune ao sofrimento -
imune às dores do espírito
ou à agonia.
(...)
Como é frágil o coração humano -
espelhado poço de pensamentos.
Tão profundo e trêmulo instrumento
de vidro, que canta
ou chora."
(Sylvia Plath)
.

16 comentários:

Rodrigo Carreiro disse...

Precisamos aprender muito mais com os outros animais... Muito mais.

Sunflower disse...

mais esse é exatamente o tipo de reportagem que escapa da Veja.

Aqui em casa, só quem anda lendo essa revista ultimamente são os filhotes(sim, a descontrolada da minha mãe caiu na de assinar a revista, enquanto eu, quando a moça ligou disse: "a senhora tá maluca, o quê que eu posso fazer com um troço desses").

Mas é claro que a gente não reage qdo quem a gente ama magoa a gente. Ficamos lá, paralizados, pensando em até que ponto não merecemos aquilo, depois qdo notamos que não merecemos, ficamos chorando do cantinho, difícil é reagir. A mágoa fica pra sempre.

É nessas horas que eu sinto inveja da minha cadela, pq eu brigo com ela - merecidamente - e ela corre pro cantinho com coração partido, segundo depois a chamo, e ela volta correndo com o rabo balançando como se nunca tivesse acontecido nada.

beijas

On The Rocks disse...

seres fragilizados é o que somos.
bj

Solin disse...

"Veja= Não veja nem leia" =O

Sam, eu assisti neste fds o filme As horas só para ver a cena da Meryl Sreep que vc descreveu no blog..

Clara Mazini disse...

Não tem jeito. Somos todos humanos, demasiado humanos...

E que bom.

Um beijo!

Clara Mazini disse...

Não tem jeito. Somos todos humanos, demasiado humanos...

E que bom.

Um beijo!

Alex Sens disse...

Sylvia seria minha analista.

;)

Camilinha disse...

eu penso que, muitas vezes, a fragilidade ensina mais do que enfraquece...



beijos daqui...

Paulo Galvez disse...

Eu diria tempo mais que distância.

Agnes disse...

Você é foda...

Tatá disse...

Os animais têm muito a nos ensinar. Uma pena é que demoramos muito tempo para, assim, aprender.
Lindo o texto.

Beijos

D'angelo disse...

Tão profundo esse texto. Amei viu??!!

Ju... disse...

Samantha!
Lindo blog!!!
Parabéns!!!
Será uma de minhas paragens preferidas!!!

Cláudia I. Vetter disse...

Concordo com a Tatá e complemento(com clarice lispector): ''loba e filhote, lambem-se mutuamente''; há um descaso em que mfere e em quem é ferido.; questão pura de sensibilidade.

;*****
saudade, sá!

Ricardo Dalai disse...

gente...tempos que nao passava aqui, mas tb tem tempos q vc nao passa por la... enfim

otimo
sempre

vamos escrever algo juntos?

bjo

BAR DO BARDO disse...

Que verdade mais doída... Merece lágrimas!