quinta-feira, 30 de abril de 2009

De Febres e Guerras

foto de Toddy R..
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Uma carne exposta para que ele acaricie. É assim que sinto quando, meticulosamente, ele me despe de todas as peles e me toma por todas as raízes e nervos.
Vamos construir um palácio, ele diz, vamos mudar pra Veneza, vamos rir pelas ruas, dormir embriagados. Vou te arrancar todas as dermes, todas as noites, vou te despir das máscaras, vou te deixar como és, ele diz. Faremos baderna em igrejas, gritaremos palavrões da janela, levaremos os cachorros da rua pro nosso apartamento. Vou lhe fazer um filho e uma tela expressionista.
Eu ainda não entendi se é loucura ou arrebatamento. Meus pés no chinelo suam, não consigo correr sem cair e ele me alcança, me retoma aos beijos. Ele me mantém no laço ardido do amor e ódio, do bem e do mal. Esse amor é filho da guerra, eu digo, somos inimigos. Ele ri, toma calmamente outro gole, me pega pelo braço e me arrasta até o quarto mais próximo. Ali entendo como sou sempre o país mais fraco. Terrorista, eu grito. Ele me lambe todos os vãos, me morde as sobras, me engole. Nossa febre é vida, meu amor, ele sussurra me arrancando a orelha.
Fadigamos alguns minutos, abraçados. Levantamos e saímos rindo pela rua, chutando pedrinhas e falando obscenidades para que as velhotas de portão nos escutem.


Samantha Abreu

21 comentários:

Sérgio Luyz Rocha disse...

Ei, Samantha, tudo bem?
Parece que sim...hehehe...

Bom retornar aqui e ver que o tempero continua...apimentado...

...que pegada essa sua, hein???

Bom feriado...bjs!

Ah! tem uma bala na agulha, lá na trama...apareça...

Rodrigo disse...

Querida, e se eu te disser que esse é o melhor texto que já li aqui? Fantástico! Parabéns!
;p

Erica Maria disse...

Ah, que texto lindooooooooooooo!

Amei!

Bjos querida!

Paulo Castro disse...

Parece o jogo do empurra-abraça. Já fez ? Ele é simples e sempre leva o casal ao chão. Um chão acarpetado ou de terra batida, vermelha em dia quente. Hematomas são as fichas de aposta. Beijos loucos são o leva tudo.
Mas não, não o país mais fraco. Temos a mania ( acho que lemos diretamente ou por tabela demais "Veias Abertas Da América Latina) de achar que o país dominado é mais fraco. Mentira. Existe uma carga de energia acumulada em que foi dominado. NO caso dos corpos, isso se manifesta em jorro de gozo. Bandeira tremulante de lençol.
Beijos,
Paulo.
º

On The Rocks disse...

massa! você sempre ótima.

bj

Bela disse...

Quente, fervendo, uau!
Adorei.
Bjos.

ana disse...

bonito

Anônimo disse...

belo como o Taj Mahal ao vento

karl

Peterson disse...

Estou sempre por aqui, dear. Gosto do que você escreve, muito bom de ler.

BAR DO BARDO disse...

para se gritar bem baixinho: que homem!

Renne Boz disse...

"Vou te arrancar todas as dermes, todas as noites, vou te despir das máscaras, vou te deixar como és, ele diz." É por essas frases que quis ser sua amiga..hahahaa. Óoooootimo!

Clara Mazini disse...

Adorei essa construção e o equilíbrio entre a gravidade e a leveza natural dos sentimentos. Lindo!

célia musilli disse...

Adorei seu mini-conto selvagem...Sexta -feira vou falar do sarau lá no blog e postar um vídeo seu de poesia, ok? Um beijo e até...

Biani Luna disse...

paixão
uma delicia...


beijos

maria louca disse...

tão lindo, tão cru, tão vomitado - tão eu.

F. Reoli disse...

Isso é o que costumo chamar de "o bom combate!!!"
Te beijo

OTNI disse...

Ooiii Saman!
...eu tô sempre por aqui [tb! rs] e agora resolvi me revelar! Gosto demais do seu blog!
...to te seguindo ta?
Bjo bjo bjo! =)

Sophia Vieira disse...

adorei samantha!
passo sempre aqui...
mto legal teus blogs!
bjo

Linda Graal disse...

maravilhaaaaaaaaaa!!! um dos melhores!!!

Fernanda Mel disse...

Quero um desses, onde encontro?

(adoro seu blog, leio sempre que possível, pois sempre revelam muito do que sinto e nao consigo descrever assim de forma tão graciosa!)
Sempre me pergunto se essas coisas não aconteceram realmente contigo.

=D

Anônimo disse...

oioioi!
ADOREI.
bel.